A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) registrou anteontem o primeiro caso em Bauru de reincidência de leishmaniose em paciente já tratado. Uma criança de 4 anos, moradora do Núcleo Edson Francisco da Silva, voltou a ser internada no Hospital Estadual (HE), quase três meses após receber alta. A doença foi diagnosticada em setembro do ano passado, quando o município registrou a oitava vítima.
Em Bauru, já foram confirmados 14 casos em humanos e uma vítima fatal da leishmaniose visceral, desde o ano passado. A menina, no entanto, não corre risco de morte, informa o pediatra do HE Everaldo Ruiz Júnior.
“A taxa (de reativação) é de 10%. É alta. Não é incomum que aconteça nos primeiros seis meses porque o paciente passou pelo tratamento e o sistema imunológico pode não estar restabelecido”, explica o infectologista Fernando Monti, que atendeu vários casos no HE.
Mas a diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da SMS, Maria Helena Abreu, considera precoce o retorno dos sintomas. Segundo ela, essa possibilidade é esperada por um ano, período em que é mantida a avaliação médica do paciente.
A leishmaniose atinge preferencialmente o fígado, o baço, os gânglios e a medula óssea, provoca um processo infeccioso, além de anemia, que pode reduzir as chances de vida do paciente. Ela é transmitida a cães e humanos através da picada do mosquito palha infectado com um protozoário (microorganismo), que fica alojado dentro de células do sistema imunológico.
Resistência
“O medicamento (nestes casos) reduz a carga parasitária remanescente e impede a reprodução (do protozoário) para outras células. Existem relatos de resistência à droga (administrada no tratamento reincidente), mas a experiência mostra eficácia (de repeti-lo)”, informa Monti.
Por essa razão, a criança receberá o mesmo tratamento indicado quando a doença foi diagnosticada pela primeira vez. “A Vigilância Epidemiológica nos orientou (a realizar os mesmos procedimentos). Vale a pena uma nova tentativa”, diz o pediatra Everaldo Ruiz Júnior.
De acordo com ele, mesmo sem apresentar quadro de desnutrição, a criança permanecerá internada por pelo menos 15 dias, período em que receberá medicamento intravenoso (pela veia). Depois, quando o remédio for administrado no interior do músculo, a permanência dela no hospital será reavaliada. O tempo previsto de acompanhamento médico é idêntico ao anterior.
“Em alguns casos, (o tratamento da ) recidiva é até melhor porque o diagnóstico é mais rápido”, comenta Monti. As palavras do infectologista devem servir de consolo à mãe da menina que, preocupada com a situação da filha, vem recebendo respaldo psicológico do hospital. Ela preferiu não conceder entrevista ao JC.
Mas o receio com relação à doença não se limita à família dos infectados. Moradores de vários bairros demonstram apreensão principalmente com os cães errantes que eles acreditam terem sido contaminados pela leishmaniose.
Errantes
“Desde segunda-feira estamos ligando para o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para informar sobre um cachorro perambulando com os sintomas por aqui. Disseram que virão buscá-lo amanhã (hoje), desde que eu assine um documento. Acho que está havendo descaso por parte da Saúde do Município”, dispara Maria José dos Santos Vieira, moradora do Núcleo Nova Bauru.
Ela explica que funcionários do CCZ alegam falta de estrutura para agilizar a recolha do animal. A informação é confirmada pela diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Maria Helena Abreu.
De acordo com ela, as instalações do CCZ não comportam grande quantidade de cães e são priorizados aqueles recolhidos em áreas onde há casos da doença em humanos ou o número de animais infectados é maior.
“A recolha dos animais é superimportante, prioritária. Estamos nos estruturando para atender. Se o morador quiser colaborar, pode pegar o cão e levar até lá”, ressalta Abreu.
No entanto, conforme o JC constatou em matéria anterior, embora o prédio do CCZ esteja passando por reforma e ampliação, teria como receber e abrigar os animais.
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