Auto Mercado

Comprar pneu usado exige atenção

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

É incontestável que ter pneus novos no veículo é o ideal. Entretanto, como a grana anda curta, nem sempre é possível conseguir equipar o carro com eles. Por isso, os usados, disponíveis no mercado a preços mais acessíveis, tornam-se uma boa alternativa para aliar a falta de dinheiro à necessidade de manutenção. Mas, em nome da segurança ao rodar, antes de adquiri-los é preciso observar uma série de cuidados.

É o que recomenda o instrutor automotivo Marcos Francisco dos Santos, da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Para ele, o primeiro passo nesse sentido é entender as diferenças entre a variedade de pneus usados existente no mercado, como os recauchutados, os remoulds e os chamados “meia-vida”.

Os recauchutados, explica Marcos, também são popularmente conhecidos como recapados. São aqueles que tiveram reformada apenas a banda de rodagem, ou seja, a área de contato com o solo que se desgasta com o tempo e onde encontram-se os sulcos. É como se o pneu ganhasse uma nova “capa” de borracha para rodar novamente.

Já os remoulds passam por um processo mais complexo, como o próprio nome sugere, o de remoldagem. Neste, conforme o instrutor, a restauração é feita desde o talão - local onde o pneu fica preso no aro - até a banda de rodagem. “Para isso, as melhores carcaças são selecionadas e, independente do desgaste da banda, o sistema é iniciado. O produto final é quase um novo pneu”, ressalta Marcos.

Há, ainda, outro tipo muito comum no mercado: o meia-vida. Segundo o instrutor do Senai, trata-se daquele que ainda não atingiu o desgaste máximo permitido pela legislação - 1,6 milímetros - perceptível através dos indicadores existentes nos pneus. “É simplesmente um já usado que não passou por nenhum processo de reforma”, resume.

Marcos ressalta que tais produtos são excelentes alternativas para quem não tem condições financeiras de adquirir pneus zero quilômetro. A razão principal é o preço mais em conta. “Enquanto os remoulds chegam a custar 40% menos que um novo, os recauchutados podem atingir percentuais ainda maiores”, frisa o instrutor.

No entanto, ele faz uma importante ressalva. “Vale a pena investir neles desde que os processos de reforma tenham sido bem executados, o que garante a qualidade e, principalmente, a segurança do produto final”, alerta. Mas há como identificar, no ato da compra, se um pneu que passou por recapagens ou remodelagens é uma “fria”? Para o técnico automotivo, a resposta é positiva.

Marcos informa que processos de restauração bem feitos nos pneus devem garantir vida útil mínima de 70% em comparação com os zero quilômetro. “Os recapados ou remoulds devem rodar, pelo menos, 70% do que andariam os novos”, orienta. “E o consumidor deve checar com o executor do serviço a garantia de quilometragem”, acrescenta.

Além disso, um procedimento fundamental é checar visualmente a lateral dos pneus, seja nos recapados ou remolds, à “caça” de eventuais deformações, trincas, cortes e bolhas. “São indícios de carcaças com problemas. Ao constatar tais defeitos, não adquira pneus nestas condições”, adverte Marcos.

Outra dica valiosa é rodar o pneu com a mão em um piso plano e sem buracos para analisar seu comportamento. “Ele não pode apresentar qualquer solavanco ou irregularidade enquanto estiver em movimento”, esclarece o instrutor.

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Risco perigoso

Um outro tipo de pneu usado tem atraído a atenção de muitos motoristas: os ressulcados, ou seja, aqueles que foram riscados novamente para ganhar novos sulcos.

Mas o que poucos sabem é que efetuar a ressulcagem compromete, e muito, a segurança ao rodar. Normalmente, o processo é executado com os pneus quase “carecas” e após terem ultrapassado os índices máximos de desgaste recomendados pelos fabricantes e determinados pela legislação.

Desta forma, conforme explica o instrutor automotivo do Senai/Bauru, Marcos Francisco dos Santos, o maior perigo é que um pneu nestas condições corre sério risco de estourar e provocar acidentes. “Os produtos ressulcados tendem a sofrer mais com o aumento da temperatura, comprometendo as estruturas internas de sua carcaça e aumentando a probabilidade de explosão em pleno movimento”, alerta.

Por isso, complementa Marcos, a “rerriscagem” deve ser evitada a todo custo. Assim, quando um pneu atinge seus indicadores de desgaste e, se o dono do automóvel não tiver condições de adquirir um novo, o ideal é optar pela recauchutagem ou pela remodelagem.

Mas, se nenhuma destas duas alternativas agradar ao motorista, então só resta uma saída: classificá-lo na categoria dos inservíveis e deixar a cargo dos fabricantes a tarefa de retirá-los de circulação, conforme lei brasileira sobre o assunto.

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