A cultura grega sempre esteve presente no processo de desenvolvimento da cultura ocidental. Na formação ética das crianças, por exemplo, destacam-se a figura dos super-heróis, que são, na verdade, uma criação moderna baseada nos heróis da Grécia. Estas figuras mitológicas, que ajudam a transmitir valores positivos para a realização do bem comum, são os enfoques da exposição “Que Herói Sou Eu? Pensando e Jogando no Mundo Grego”.
A mostra, inaugurada ontem no Serviço Social do Comércio (Sesc), faz parte de um projeto desenvolvido pelo Sesc Pompéia (S.P.) que busca debater valores éticos através de atividades artísticas, seminários e jogos. O evento conta ainda com a orientação de 36 monitores, que estarão à disposição dos visitantes durante as atividades. A exposição vai até o dia 30 de maio e tem entrada gratuita.
Visando atrair a atenção, principalmente o público infanto-juvenil, sobre a importância de se resgatar os valores morais e incentivar a cultura da paz social, a exposição “Que Herói Sou Eu?” abusou da criatividade para representar os heróis e deuses gregos.
Para isso, utilizou recursos tecnológicos e diferentes materiais cenográficos - como lã, acrílico, madeira, concreto e metalóide - dignos de uma grande produção cenográfica. O resultado promete encher os olhos do público.
A começar pela riqueza de detalhes presentes na mostra, que está estrategicamente posicionada em uma grande área localizada próxima às piscinas do Sesc. O espaço se assemelha a um grande labirinto, dividido em dezenas de ambientes e recheado de surpresas. A entrada é suntuosa e retrata os primeiros deuses mitológicos, Urano (que representa o Céu) e Gaia (Terra).
De acordo com Maria Augusta Araújo Damiati, que juntamente com Luiz Carlos Machado Scartezini Jr., coordena o projeto em Bauru, esse ambiente busca traduzir a conflitante relação entre esses dois deuses. “Urano era um marido muito ciumento, que sufocava a esposa”, conta ela. Partindo desse contexto, o espaço ganhou formas e cores diferenciadas, como jogos de luz em azul royal, para criar um clima de tensão e desconforto.
Além de ser extremamente visual, a exposição se preocupou com detalhes e instalações que produzam significados simbólicos, estimulando a percepção sensorial do público. Isso ficará evidente no ambiente de Urano e Gaia, cuja entrada é feita com um material bem maleável, parecido com argila. “O objetivo é passar uma idéia de insegurança, para que as pessoas percebam como era sufocante a relação deles”, explica Maria Augusta.