Botucatu - Um método de produção de soro antiofídico de maior potência, e que pode utilizar ovinos ao invés de cavalos como animais soroprodutores, foi desenvolvido pelo médico veterinário Rui Seabra Ferreira Júnior, responsável pelo Centro de Veneno e Animais Peçonhentos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru).
Segundo a assessoria de imprensa da Faculdade de Medicina, o pesquisador, que também é aluno de pós-graduação do Departamento de Doenças Tropicais da Unesp, desenvolveu o estudo como trabalho de mestrado e obteve o primeiro lugar entre as pesquisas inscritas no Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, realizado de 7 a 11 de março, em Aracaju.
Basicamente, a investigação foi dedicada a procurar alternativas de menor custo para produção de soro antiofídico de maior eficiência para neutralizar os efeitos dos agravos provocados pelas cobras jararaca e cascavel. Com a colaboração do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares e da doutora Nanci do Nascimento, e orientação dos professores Domingos Alves Meira e Benedito Barraviera, do Departamento de Doenças Tropicais, o pesquisador desenvolveu a nova técnica que submete o veneno nativo à irradiação com Cobalto-60.
Com isso, o animal soroprodutor sofre menor agressão ao ser inoculado, facultando, ainda, a produção final de um soro com dez vezes mais potência do que o atualmente existente no mercado. Esse soro teria um menor potencial de geração de choque anafilático em seus usuários.
O novo método permite, também, que sejam utilizados ovinos como animais soroprodutores, e não apenas os eqüinos como acontece atualmente no Brasil. No caso dos ovinos, como já é feito em alguns países, os soroprodutores poderão ser abatidos em escala comercial, gerando uma receita adicional e que poderá, ao final do processo, reduzir o custo do soro. No caso dos eqüinos, os custos são ampliados com a necessidade de manutenção dos animais em regime de permanente confinamento.
Segundo a assessoria, o médico está em contato com a Associação Paulista de Criadores de Ovinos (Aspaco), em São Manuel, para viabilizar a utilização dos animais selecionados para abate na produção do soro.