Mais um caso de leishmaniose visceral humana foi confirmado em Bauru. Já é a quinta pessoa que manifesta os sintomas da doença neste ano e a 15.ª desde setembro do ano passado, quando a cidade teve seu primeiro registro. A pessoa contaminada tem 25 anos e mora na Vila Dutra, região onde foram registrados outros casos humanos e que conta com cães positivos, informa a Secretaria Municipal de Saúde.
O novo paciente está internado para tratamento. A Vila Dutra está inserida na área prioritária de ações, definida pelos técnicos de saúde do Município e Estado, juntamente com os bairros Parque Santa Cândida, parte da Vila Industrial, Parque Santa Edwiges, Parque Jaraguá, Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16), Núcleo Nova Esperança, Jardim Andorfato e Jardim Prudência.
A doença é transmitida a cães e a humanos através da picada do mosquito palha infectado com um protozoário (microorganismo), que fica alojado dentro de células do sistema imunológico. A leishmaniose atinge preferencialmente o fígado, o baço, os gânglios e a medula óssea, provoca um processo infeccioso, além de anemia, que pode reduzir as chances de vida do paciente.
Além dos casos em humanos, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal de Saúde, constatou a leishmaniose em 144 cães neste ano e aguarda resultados de exames mais 114 animais. Entre os cães que contraíram a doença no final do ano passado e início deste, 95 foram sacrificados neste ano, conta Maria Helena Abreu, diretora do DSC.
Ela ressalta que não é possível prever se Bauru ainda terá muitos casos da doença. “Como o período de incubação varia de dez dias a dois anos, só saberemos o resultado das ações que estamos fazendo daqui a dois anos. Essa pessoa que manifestou a doença nesta semana pode ter contraído a doença há dois anos”, frisa
Bauru contabiliza 15 registros da doença, considerando o caso do teste terapêutico (ainda em aberto na Secretaria de Estado da Saúde e que não entrou para as estatísticas). Um dos pacientes morreu em decorrência da doença, em novembro do ano passado.
Araçatuba, a cidade de maior incidência da doença no Estado de São Paulo, registrou 40 casos em humanos no ano passado e oito neste ano. Em 2003, cinco pacientes da doença morreram e neste ano, um.
Na área da Direção Regional de Saúde (DIR-10), além de Bauru, foi registrado caso da doença neste ano apenas em Promissão, segundo Márcia Helena Simonetti, diretora da Vigilância Epidemiológica da DIR. “E temos suspeita em Lins”, conta.
Entre os pacientes de Bauru, um deles, uma criança de 4 anos moradora no Núcleo Bauru 16, que já havia obtido alta hospitalar, voltou a apresentar os sintomas na semana passada. Ela continua sob cuidados especiais, mas o caso não foi classificado como novo.
Conforme o planejamento de combate à leishmaniose traçado anteriormente, as equipes de saúde já estavam atuando na região da Vila Dutra. Com o novo caso, os técnicos voltaram o trabalho de busca ativa ao redor da residência do paciente infectado.
Por enquanto, segundo Maria Helena, o plano de trabalho não será alterado. “Já estamos seguindo as normas técnicas e isso só será mudado se houver recomendação do grupo de estudos que passou a nos ajudar”, diz.