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Cristãos revivem hoje morte de Jesus

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Às 15h de hoje, momento presumível da morte de Jesus Cristo há quase 2 mil anos, os católicos lotarão as igrejas para adorar o Senhor morto em um dia de abstinência da carne, jejum e penitência. A cerimônia, que é repetida todos os anos, faz parte da Semana Santa, principal data católica por relembrar a morte e ressurreição de Jesus Cristo, no Domingo de Páscoa.

No único dia do ano em que a Igreja Católica não celebra missa, todas as 25 paróquias de Bauru estarão abertas hoje para adoração do Senhor e a previsão é que fiquem lotadas. O padre Luís Antônio Carqueijo Sé, pároco da Catedral do Divino Espírito Santo, afirma que é importante participar das cerimônias da Semana Santa para relembrar o que Jesus passou pelos homens e, principalmente, o testemunho de fé dado por Ele, para que as pessoas reflitam como estão vivendo.

Para o padre Luís, observando os ensinamentos e testemunhos de Jesus, a sociedade poderia tornar-se melhor. “Mesmo durante o processo da Paixão, Cristo foi ao encontro das mulheres que sofriam, Ele perdoou seus algozes. É sobre isso que temos que refletir, não apenas sobre o sofrimento de Cristo”, diz.

Adotando a mesma data para a morte e ressurreição de Cristo, nem todos os evangélicos, no entanto, celebram a Semana Santa com atividades especiais. “Boa parte das igrejas, dentro de suas programações, relembra a data no domingo, mas nem todas”, conta o pastor Édson Valentin, membro do Conselho dos Pastores Evangélicos de Bauru.

Ele explica que a Semana Santa não é tão celebrada pelos evangélicos como pelos católicos porque o novo Testamento dá maior ênfase à vida de Cristo, não à morte. Porém, afirma que é um período de reflexão sobre a vinda de Jesus e sua morte para salvar os homens. “Se Deus não tivesse se feito semelhante a nós, se Jesus não tivesse morrido e ressuscitado, o que seria de nós?”, questiona.

Os espíritas associam-se às homenagens prestadas a Jesus, a quem consideram a maior figura da humanidade, mas não profeçam a idéia de ressurreição, explica Richard Simonetti, presidente do Centro Espírita Amor e Caridade. “Para o espiritismo, Jesus não ressurgiu da sepultura, revivendo o corpo físico; ele veio do além, materializando-se diante dos discípulos, em várias circunstâncias”, ressalta.

40 dias de penitência

Ministra da eucaristia e integrante de outra pastoral, a dona de casa Maria Celina Lobato conta que até ontem havia ido à igreja todos os dias desta Quaresma, ou seja, 39 dias seguidos. “É uma intenção por uma graça alcançada. Nos anos anteriores também fui à missa todos os 40 dias da Quaresma”, relembra.

Ela ressalta que, além da Sexta-feira Santa, os católicos devem ir à igreja no Sábado de Aleluia e Domingo de Páscoa. “A Quaresma é um período de preparo para conversão, de mudança de vida, e por isso não pode acabar na Sexta-feira Santa. A ressurreição é no Domingo de Páscoa”, afirma.

Mesmo fora da Quaresma, Maria Celina é assídua freqüentadora da igreja. “Vou três, quatro vezes por semana, mas é necessário ir até mais vezes porque faz tão bem! Eu superei muitas coisas através da oração e a missa é uma das cerimônias mais completas”, defende.

Hoje, todas as igrejas fazem liturgia solene às 15h. Mas a partir da tarde, cada igreja segue um cronograma para as cerimônias seguintes. Na Catedral do Divino Espírito Santo, será encenada a via-sacra às 19h. Amanhã, Sábado de Aleluia, haverá Vigília Pascal e no Domingo de Páscoa, missas à 7h30, 10h e 19h. Ontem à noite, o padre Luís Antonio celebrou a missa do Lava-Pés na Catedral.

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Abstinência

Apesar da Igreja Católica pedir a abstinência da carne apenas na Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, há fiéis que fazem uma penitência maior. O publicitário Helber Fernandes Nardo, 25 anos, não comeu carne os 40 dias desta Quaresma. “Não como carne vermelha, mesmo se for a um churrasco. Se tiver frango, como. Se não tiver, não como carne. É uma intenção”, explica.

Ao conceder a entrevista, Nardo planejava ir à igreja e jejuar hoje. Mas ele revela que atualmente vai à missa uma vez por mês, freqüência que acha pouco. “Deveria ir à missa toda a semana, como já fiz”, diz afirmando que é possível conciliar a vida moderna de trabalho e saídas noturnas com religião.

Estão liberados da abstinência da carne e jejum, explica o padre Luiz, crianças e idosos. Mas ele frisa que não basta trocar a carne por outro alimento. “Não posso deixar de comer carne e engordar o meu orçamento com aquele dinheiro que não gastei. É preciso doar a quem precisa, fazer caridade”, diz.

Diferente dos católicos, em geral, as igrejas evangélicas não pedem a abstinência da carne e presença nas cerimônias da Semana Santa. “Os evangélicos pregam a assiduidade à igreja durante todo o ano, um compromisso”, diz o pastor Valentin.

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