Uma das tradições mais hipócritas que existe no Brasil é a malhação do boneco de Judas Iscariotes. Não muito pelo boneco ali inerte simbolizando um suposto traidor e sim pela imundície moral e demagógica dos que o apedrejam e lhe dão pauladas. Judas deve se retorcer e entrar em franca depressão dentro do túmulo ao saber que aqui no nosso País é espancado por falsos, hipócritas, preconceituosos, mentirosos, pequenos e grandes ladrões, invejosos e outros. Salvo poucas exceções.
Judas Iscariotes, ao contrário do que prega a história oficial, não foi nenhum traidor. Era sim um dos seguidores que mais gostava de Jesus e por ele acabou dando a sua própria vida. Para entender o papel de Iscariotes é preciso raciocinar sem paixão ou cegueira mental, mesmo porque, quem age assim beija poste e afaga paralelepípedo.
Mesmo na versão bíblica não dá para concordar com a suposta traição. Em muitos relatos dos evangelhos é citado que Deus mandaria seu filho na Terra para salvar os humanos do pecado e para isso ele seria crucificado. Oras, nesta versão Judas e seu beijo faziam parte dos planos de Deus para a nossa salvação. E aí pergunto: por que Judas é considerado um traidor e não um instrumento de Deus?
Numa versão mais crítica percebe-se que Judas era o discípulo que mais apreciava o domínio que o Nazareno tinha sobre o povo e os fiéis, mentalmente falando. Testemunha ocular dos poderes de Cristo, ele fazia parte de um grupo que não concordava com a terrível ditadura romana e sempre mantinha contatos com a turma e o agrupamento de Barrabás, que não queriam fazer oposição pacífica e sim iniciar a guerrilha e o levante armado contra Roma. Aliás, diga-se de passagem que, ao contrário do que apregoa a história oficial, Barrabás não era bandido e sim um revolucionário insurgente contra a escravidão romana.
Judas, então, arma o plano e se aproxima dos governantes locais dizendo não concordar com Cristo e até aceita propina para entregar o seu líder. A intenção era que, quando Jesus fosse preso ele usaria todo o seu poder contra as tropas romanas e aí sim, com a ajuda das guerrilhas, libertaria o povo da opressão. Judas entrou em pânico ao ver o mestre ser açoitado e humilhado sem se defender ou usar os seus poderes, tanto é que se enforcou imediatamente. Foi precipitado sim, mas traidor jamais. A maioria dos discípulos fugiu quando Cristo foi preso e o apóstolo Pedro, sem levar um beliscão, traiu ele e o negou três vezes.
Às vezes, a realidade choca muito as pessoas, mas é inútil fugir dela. O próprio Jesus dizia: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” Gostaria de propor que, ao invés de malharem um boneco, nós malhássemos a miséria, a fome, a concentração de renda, a política econômica brasileira, munidos com pedras de indignação e paus da justiça social. Amo Jesus Cristo, mas não discrimino Judas e muito menos Barrabás.
E que sejam amaldiçoados todos os vendilhões do templo que hoje novamente estão fazendo da casa do Senhor um verdadeiro mercadão da fé.
PS - As autoridades locais devem pedir a quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico de todos os citados nas fitas apresentadas pelo vereador João Parreira de Miranda. É absolutamente normal em depoimento o acusado negar o que fez ou sabe. (Pedro Valentim - RG 19.198.011-0)