Jaú - O Hospital Amaral Carvalho (HAC), de Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru), conta com um novo aliado no tratamento de crianças portadoras de leucemia que precisam se submeter ao transplante de medula óssea, quando o uso de quimioterápicos não apresenta resultados satisfatórios.
Trata-se de um banco para armazenamento de células-tronco extraídas do sangue de cordões umbilicais de irmãos de pacientes, geneticamente compatíveis. O Centro de Hematologia e Hemoterapia do HAC já congelou cordões de sete bebês, cujos irmãos realizam tratamento contra leucemia no hospital.
“Esperamos não ter que usá-los, mas se for necessário um transplante de medula óssea, há células-tronco armazenadas em quantidade”, afirmou o diretor de medicina e saúde do Amaral Carvalho e médico hemoterapeuta, Marcos Augusto Mauad.
Segundo ele, em princípio, o serviço poderá atender apenas os pacientes do hospital. Isso porque o HAC ainda está aguardando a publicação da portaria do Ministério da Saúde que disciplinará a implantação do banco de cordão umbilical.
Após a regulamentação, segundo a assessoria, o hospital tem a intenção de ampliar o serviço, criando um banco público, vinculado ao Ministério da Saúde.
Além de recursos financeiros, a estrutura do banco de sangue de cordão umbilical precisará de uma equipe de enfermeiras e assistentes sociais, que vão se dirigir às maternidades e postos de saúde, para fazer um trabalho junto às mães, incentivando-as a realizarem voluntariamente as doações.
Atualmente, segundo o médico, não é desenvolvido no hospital um trabalho de busca ativa de doadores. “Hoje a busca é passiva porque só estamos coletando de irmãos de pacientes com leucemia”, acrescentou. Nesses casos, a chance do bebê ser compatível geneticamente é de 25%.
A doação do cordão umbilical é um procedimento simples. Após o nascimento do bebê, o sangue do cordão, rico em células-tronco, é extraído, congelado por meio de nitrogênio líquido, e armazenado. O processo não causa danos para a mãe nem para o recém-nascido.
A doação pode ser realizada para um irmão, que comprovadamente apresente doença com indicação de um transplante de medula óssea, ou de forma voluntária - disponibilizando as células para qualquer pessoa que necessite.
No processo de transplante, o paciente recebe as células-tronco, por meio de transfusão.
Números
De acordo com a assessoria de imprensa do HAC, do total de crianças em tratamento no hospital, menos de 7% precisaram se submeter ao transplante de medula óssea.
Os tipos de câncer que mais acometem as crianças são leucemia (30%) e tumores do sistema nervoso central (20%).
“São todas doenças malignas, agressivas, com risco de vida, que necessitam de abordagem rápida, estrutura complexa que permita o tratamento global em todas as suas esferas de ação”, enfatizou o médico.
Nos casos de leucemia linfóide aguda, o índice de cura gira entre 80%. Para leucemia mielóide aguda, a chance de cura cai para 50%. As doenças são tratadas com quimioterápicos convencionais.
“Aqueles que não conseguem a cura, passam a ter a necessidade de transplante de medula óssea. Na família, a chance é de 25% de um irmão ser compatível geneticamente. Não tendo isso, a busca de doadores se faz através de registros de doadores de medula óssea (Redome) nacional e internacional”, explicou Mauad.
Segundo o médico, o Banco de Cordão Umbilical é mais uma fonte de células-tronco, que aumentará a possibilidade de conseguir doadores de medula óssea para transplante de não aparentado.