Bairros

Vila Dutra é foco de leishmaniose

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A região da Vila Dutra, zona oeste, é o principal foco de leishmaniose visceral humana em Bauru. Nesta semana foram confirmados mais dois casos da doença: um deles na Vila Dutra e outro no Jardim Petrópolis. Agora, já são 17 pacientes infectados desde setembro do ano passado, quando a cidade registrou a doença pela primeira vez, e sete só neste ano.

Um dos pacientes, infectado no ano passado, morreu em novembro. Dos 17 casos, onze foram registrados na zona oeste. Por isso, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), elegeu a região como prioridade no combate à doença.

A leishmaniose é transmitida a cães e humanos pelo mosquito palha infectado, através da picada. Em humanos, a doença atinge preferencialmente o fígado, o baço, os gânglios e a medula óssea, provoca um processo infeccioso, além de anemia, que pode reduzir as chances de vida do paciente. Mesmo com as equipes de saúde percorrendo os bairros com casos da doença há várias semanas, os moradores estão preocupados e relatam situações de descuido com a limpeza de quintais e terrenos.

A dona de casa Eliane Antônio Natam, que mora no Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16), conta que até ofereceu a lixeira em frente sua casa para evitar que uma pessoa jogasse lixo no terreno destino ao bosque do bairro, ao lado de sua residência. “Mas não adiantou. A pessoa já estava jogando o lixo do outro lado da cerca”, lamenta.

Ela lembra que há coleta de lixo no bairro três vezes por semana. Apesar de não conhecer nenhum morador com leishmaniose, ela conta que em determinadas ruas do bairro vários cachorros morreram vítima da doença. “Eu tenho cachorro e fico preocupada com ele e também com minha família”, diz.

O aposentado Carlos Roberto Pereira, que mora na Vila Dutra, afirma que não deixa lixo acumulado no quintal, mas está preocupado com a doença. “Eu tomo precaução, não tenho cachorro e há uns anos pus telinha na janela para não entrar mosquito, mas a gente não sabe como está o quintal do vizinho”, comenta.

A mesma preocupação tem o vigilante José Willian Ruiz Martins, também morador da Vila Dutra. “Eu trago o quintal limpo, cuido do meu cachorro e reclamo se alguém estiver jogando lixo em terreno baldio”, afirma ele, para quem as pessoas estão mais preocupadas. “Aqui onde moro não tenho visto muito lixo não”, ressalta.

A dona de casa Izabel Teixeira da Silva, moradora da Vila Dutra, afirma que está seguindo à risca as orientações das equipes de Saúde. “Eu enterro as fezes do cachorro e as folhas das árvores. Fizeram exame no meu cachorro e não deu nada. Mas a gente não sabe como é que está o quintal do vizinho”, frisa.

Além da leishmaniose visceral, o tipo mais grave da doença, a Secretaria de Saúde registrou dois casos da forma tegumentar entre o ano passado e este. Os dois pacientes estão em tratamento ambulatorial. Já em cães, foram registrados 500 casos da forma visceral no ano passado.

Neste ano, em toda a cidade, a Secretaria de Saúde diagnosticou leishmaniose em 144 dos 683 cães que foram examinados e aguarda resultado de exames de mais 114. Entre os animais com a doença confirmada, técnicos do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) sacrificou 95.

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Equipe reforçada

A equipe do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) que atua na área de vigilância sanitária, incluindo no combate à leishmaniose, ganhou uma assistente social e mais um enfermeiro nesta semana (agora são três). Os nomes dos antigos e novos integrantes da equipe foram publicados na edição de anteontem do Diário Oficial do Município.

Maria Helena Abreu, diretora do DSC, explica que os novos profissionais já estão trabalhando. “Quando surgiu o primeiro caso de leishmaniose pedimos uma assistente social porque a doença é muito complexa. A assistente social está trabalhando na área educativa da leishmaniose e da vacina contra a gripe para idosos”, diz.

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