A Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru e a Polícia Militar (PM) se uniram para reforçar o combate ao tráfico de drogas. Os cães farejadores do canil da PM serão empregados nas operações da Dise, principalmente na fiscalização de ônibus oriundos de regiões de fronteiras do Paraguai e Bolívia que passam por Bauru.
Com base nas últimas apreensões, a polícia não tem dúvidas de que as rodovias que cortam Bauru são usadas como rota para distribuição de drogas vindas de cidades localizadas na fronteira dos dois países e municípios da região e até outros Estados.
Na semana passada, a PM apreendeu 220 gramas de crack em um ônibus que passava por Bauru e outras 139 pedras da droga no Ferradura Mirim. Na semana anterior, foram apreendidas 680 gramas de crack em Jaú e no mês passado, a Dise retirou 90 gramas da mesma droga de circulação em Bauru. No ano passado, foram feitas várias apreensões de maconha em Bauru em ônibus oriundos de cidades da fronteira do Paraguai.
O serviço de inteligência da Dise vai trabalhar nas investigações, como sempre fez, e quando necessitar de mais agilidade para encontrar droga, acionará os cães farejadores da PM, explica o titular da delegacia, José Henrique Gomes dos Santos. “Vamos usar os métodos de investigação de inteligência policial que temos à nossa disposição e nas buscas teremos um apoio dos cães farejadores”, diz.
O auxílio do animal vai agilizar e dar eficácia ao trabalho, na opinião do delegado. “O cachorro tem um olfato mais aguçado que o ser humano e ele auxilia no encontro da substância entorpecente em locais diversos, especificamente quando ele estiver enterrado ou mesmo em locais que a gente nem imagina que possa estar”, ressalta.
O emprego dos cães, segundo Santos, pode mudar a rotina do trabalho. “Podemos intensificar ainda mais as fiscalizações, seja nos ônibus ou guarda-volumes da rodoviária, onde as malas ficam por algum tempo. As bagagens dos viajantes poderão ser vistoriadas individualmente quando eles desembarcarem de algum transporte coletivo”, avisa.
O delegado frisa que a polícia tem trabalhado intensamente no combate ao tráfico de drogas em Bauru e região. Sem dúvida alguma Bauru e região servem de caminho para a distribuição de drogas em outros lugares do País. Eu considero que, com o reforço dos animais, haverá mais eficácia no combate ao tráfico. É uma evolução do trabalho que a Dise já desenvolve”, diz.
Ele ressalta que com os farejadores não haverá necessidade de abrir mala por mala. “Agiliza e muito o trabalho, tanto na rodoviária quanto na busca de entorpecente enterrado em locais de difíceis acessos, evitando a procura sem direção”, lembra.
Os países de primeiro mundo e a Polícia Federal brasileira possuem canil com animais treinados para esse fim, diz Santos. “A partir de agora a Polícia Civil, através da Dise, pode contar com esse apoio”, completa.
Primeira ação
A primeira operação da Dise com o apoio de cães do canil da PM foi realizada recentemente. “Fizemos uma experiência primeira em um condomínio da cidade. O trabalho redundou na apreensão de 1,2 quilo de maconha, que estava enterrado em vários pontos do terreno”, lembra o delegado.
Segundo o comandante da Base de Trânsito da PM, que também é responsável pelo canil, tenente Jorge Luis Dias, três cachorros estão preparados para farejar entorpecentes. “Há um outro em treinamento. Em breve vamos ficar com quatro animais prontos para o trabalho”, conta.
A Polícia Militar já utiliza o serviço dos cães para fiscalizações nas cargas que chegam pelos Correios e nas bagagens dos passageiros dos ônibus. “Disponibilizamos os cães porque eles têm um período grande de utilização e entendemos que o objetivo é o combate ao tráfico que beneficiará a sociedade.”
O tenente frisa que o canil possui uma cadela da raça springer spencer, a Sandy, que é importada. “É um dos menores animais farejadores, mas é importado. No Brasil, o melhor é o cão da raça labrador. Temos dois prontos para trabalhar e um em treinamento”, diz.
O animal é treinado para farejar drogas como se fosse uma brincadeira. “Uma das característica desras raças é que é um animal brincalhão. Nós damos a ele um brinquedo e depois de um tempo, colocamos um cheiro. Ele procura o brinquedo e acha a droga”, revela.