Cerca de duas mil crianças pobres de Bauru tiveram ontem uma oportunidade rara: conhecer um circo de graça. Conduzidas por cerca de 30 entidades assistenciais, elas expressavam surpresa diante de mágicos, palhaços e malabaristas.
“Nunca vi alguém ficar dançando pendurado numa corda. Quero aprender também. Eu achava que (o circo) era diferente”, admite Lorena Emanuele de Oliveira, que aos 6 anos conheceu o Mundo Mágico de Beto Carrero por meio de uma caravana organizada pela Creche Monteiro Lobato.
Da mesma maneira, Rafael Augusto de Oliveira, aluno da Creche Antonio Pereira, teve a oportunidade de presenciar os números apresentados no picadeiro. “Gostei mais do palhaço”, exclama, compartilhando da mesma preferência demonstrada pela colega Ana Júlia Coelho Teixeira, de 4 anos.
Predileções à parte, na opinião da professora Maria Regina Moura Silva, a atividade é importante porque aproxima as crianças de manifestações culturais. “Amplia o repertório”, acrescenta a professora Érika Cristina Leandro, que trouxe para Bauru 15 alunos da escola estadual Coronel Joaquim de Toledo Piza e Almeida, de Pirajuí.
“Eles ficaram excitados até com a viagem. Vibraram quando viram a lona do circo. Não viam a hora de chegar”, conta ela.
Movidos pelo mesmo sentimento, cerca de 50 alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) que têm deficiência motora superaram obstáculos como rampa, degraus e gramado para assistir às atrações.
“Foi difícil entrar aqui principalmente para os cadeirantes (quem usa cadeira de rodas). Mas isso não impediria que a Apae viesse. Sem essa oportunidade, cerca de 90% dos alunos não compareceriam porque são carentes”, explica a psicóloga Priscila Fozer Marques.
O grupo que ela acompanhou permaneceu durante todo o espetáculo, que teve uma hora e meia de duração, na fila do “gargarejo”. Crianças de outras instituições lotaram o restante da arquibancada.
“O convite foi feito por telefone para todas as instituições. Vieram as que confirmaram presença antes. Temos crianças a partir dos 2 anos de idade”, informa a representante da Associação das Entidades de Assistência e Promoção Social de Bauru (Aeaps), Márcia Louzada.
A associação convidou as entidades após saber da intenção da direção do Mundo Mágico do Beto Carrero de realizar uma sessão gratuita para crianças pobres.
“Isso é o próprio Beto Carrero que pede. Fazemos sessões gratuitas em todas as cidades”, conclui o gerente do circo Jefferson Regis.