A Feira Infantil do Livro, que ano passado priorizou o incentivo à leitura, nesta edição resolver reforçar o enfoque através de um antigo costume praticado por várias gerações: a arte de contar histórias. A idéia é resgatar a fantasia e imaginação infantil. Segundo a escritora Carla Caruso, as histórias ajudam a estimular a afetividade dos pequenos. “É uma linguagem que a criança está acostumada, mesmo que sejam histórias reais contadas pelos pais, avós ou na escola. É uma forma de aproximar, pois sabemos que as histórias envolvem”, pontua.
A escritora Maria José Maniezo, a Mazé, lembra que foi estimulada a ler por meio das fábulas contadas pelo seu pai. “Nós somos em cinco irmãos e quando éramos pequenos, meu pai costumava reunir nós todos na cama para contar histórias. Isso me encantava”, diz. Na opinião da escritora, o contador de histórias contribui para que as crianças possam brincar e vivenciar mais a época da infância. Além disso, as mensagens extraídas das fábulas e fantasias representam as bases para que os educadores possam trabalhar valores morais.
“Essa é a finalidade do meu trabalho. Na oficina, por exemplo, contei ‘Vermelho de Vergonha’, uma história que fala de uma menina que mente e mostra a postura dos pais em relação a essa criança. As histórias que eu conto têm essa preocupação de mostrar aos educadores que é preciso formar o caráter da criança”, ressalta Mazé.
Já que o propósito é trabalhar valores morais através da fantasia, uma das melhores alternativas é abusar do aspecto lúdico da arte de contar histórias. Esse recurso vem, aliás, ganhando cada vez mais espaço nas produções literárias. “Se um escritor quer que uma informação seja registrada de forma privilegiada na cabeça das crianças, ele deve utilizar três recursos: ouvir, ver e falar”, explica Mazé.
“Por exemplo, se pedirmos para que uma pessoa se lembre de algo que viveu há dez anos, ela só vai lembrar de algo que viveu com muita emoção. A mesma coisa acontece com a criança. Quando eu conto uma história, eles estão lendo e ouvindo, quando apresento a parte lúdica, eles virão brincar comigo e não vão esquecer mais”, detalha a escritora.
Uma das técnicas empregadas para evidenciar o aspecto lúdico dos contos está relacionada ao grau de interatividade com os leitores. Embora não existam regras específicas, os escritores costumam utilizar objetos coloridos e brincadeiras engraçadas. Na oficina de Mazé, a garotada pôde se deliciar com o mundo fantástico criado no cenário.
Dessa forma, a escritora - que se apresentou como um típico menino vestindo camiseta, bermuda, tênis e boné - usou balões para simbolizar os personagens, que por sua vez, foram representados por crianças da platéia. “Foi-se o tempo que você sentava com um livro para poder contar histórias para as crianças e ia virando as páginas. Hoje você precisa fazer algo atraente”, afirma.
“Existem várias escolas que já trabalham preocupadas em resgatar valores relacionados à formação infantil. É uma forma de plantar sementes para que a próxima geração seja melhor do que essa que nós estamos vivendo”, opina Mazé.
• Serviço
4.ª Feira do Livro Infantil. Até terça-feira, no Centro Cultural de Bauru. Horário de visitação: de segunda a sexta-feira, das 8h às 21h e aos sábado e domingos, das 10h às 19h. Entrada gratuita. Apoio: Delegacia Regional - Secretaria de Estado da Cultura, Secretaria Municipal da Educação, Jornal da Cidade, Unesp FM, Rádio Auri-Verde AM, TVTem, Tec Seg, Bauru Painéis e editoras Ática, Brinque Book e Callis. Avenida Nações Unidas, 8-9. Informações (14) 3235-1072 ou (14) 3235-1193.