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Hora do respeito e da atenção


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Ainda que alguns setores do governo aparentem um certo descaso, o agronegócio brasileiro é a âncora verde da balança comercial e o aval da estabilidade econômica do país. Para nossa preocupação, nos últimos meses temos assistido a uma seqüência de atropelos em questões fundamentais ao agronegócio: a conhecida incapacidade da malha viária nacional em escoar o produto das safras das novas fronteiras de produção, a explosão do latente conflito entre operadores e autoridades locais no porto de Paranaguá e a eclosão da greve dos fiscais agropecuários federais em antiga reivindicação salarial. Exatamente três questões que, juntas, têm um poder de fogo devastador para os preços da agropecuária, a exportação do produto nacional e para a balança comercial. O prejuízo causado apenas pela paralisação do porto de Paranaguá é tamanho que há dificuldades em estimar os números, dadas as conseqüências das repercussões nas cadeias de exportação, armazenamento, distribuição e produção.

Por que nós, cooperativistas e produtores, saímos da habitual discrição e silêncio que o nosso trabalho duro exige? Não para provocar outro atropelo, não para jogar técnicos, políticos e burocratas uns contra os outros. Exibimos o resultado do nosso esforço e queremos, no mínimo, respeito e atenção às nossas dificuldades, muitas delas criadas pela indiferença para com o produtor brasileiro e as cooperativas nacionais.

Eis o resultado do nosso trabalho: o agronegócio representa 33% do PIB nacional, cria 37% dos empregos do país e é responsável por 42% das exportações brasileiras. O Brasil conquistou a posição de maior exportador de carne bovina do mundo, ultrapassando a Austrália e os Estados Unidos, com vendas de R$ 4,5 bilhões. Estamos na dianteira mundial nas exportações de frangos, atingindo R$ 5,4 bilhões e alcançamos excelentes resultados também no café, suco de laranja, cana de açúcar e tabaco.

Ainda mostramos nosso desempenho com a soja (sem contar com a que ficou parada nos caminhões e em Paranaguá). A safra recorde de grãos de 2003 alçou o país ao posto de maior exportador do complexo de soja do mundo. O setor agrícola produziu no ano passado mais de 123 milhões toneladas de grãos, o que superou em 27,5% a safra anterior. O agronegócio respondeu, no ano passado, por 41,9% das exportações. O setor exportou nada menos do que US$ 30,6 bilhões no ano passado, um aumento de 23,35% em relação a 2002; e isso em um ano em que o Produto Interno Bruto brasileiro encolheu 0,2%.

Boa parte desses recordes se deve ao desempenho das 1.519 cooperativas agropecuárias do país, que somam 6,3 milhões de associados, familiares e agregados, além de garantir 110 mil empregos diretos. As cooperativas brasileiras respondem, por exemplo, por 62,19% da produção nacional de trigo; 44,19% de cevada; 39,7% de leite e 27,97% de café. Por favor, insistimos: basta de atropelos. Agora, é a hora do respeito e da atenção. (O autor, Márcio Lopes de Freitas, é presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras - OCB)

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