Grande parte das pessoas que migraram de outras cidades para Bauru e hoje vivem em favelas e bolsões de pobreza mudaram-se em busca de emprego.
O fato foi constatado pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes). Em entrevistas ao JC nos Bairros, muitos moradores confirmaram o motivo da escolha por Bauru.
É o caso de Gerson Rosa, 36 anos, morador do Parque Real há seis. Ele saiu de Duartina (SP) há 20 anos. “Lá estava ruim de serviço. Ouvimos falar que em Bauru seria mais fácil conseguir emprego, mas agora não tem mais serviço em Bauru”, conta.
Inicialmente, morou com os pais na antiga favela São João. Depois, foi transferido pela Prefeitura de Bauru ao Ferradura Mirim, de onde guarda péssimas recordações.
Como não conseguiu emprego, Gerson comprou uma carroça e começou a fazer carretos. Ele fazia a mudança de famílias de bairros próximos e carregava entulho.
Mudou-se do Ferradura Mirim para o Parque Real em decorrência da violência. Quando chegou ao Parque Real, não podia pagar aluguel e instalou-se num terreno público, onde construiu sua casa com materiais doados. Hoje, mora com a esposa na favela, trabalha com a carroça e com uma horta caseira. Ela está desempregada. “Eu não achei serviço na construção civil, mesmo com experiência”, diz Gerson.
Apesar disso, ele gosta de viver no Parque Real devido ao sossego. “São só famílias aqui. Eu só sairia daqui para ir para um desfavelamento”, destaca.
Neusa da Silva Rosa, 45 anos, também veio de Duartina e hoje mora na favela do Parque Real. Sobrevive catando recicláveis e fazendo bicos como doméstica, quando há oportunidade. Um dos filhos também trabalha recolhendo materiais na rua para vender. Os outros três estão desempregados.
“Viemos para Bauru porque em Duartina só tinha serviço na época de colheita de cana e café. Queríamos emprego, mas não achamos. Agora, estamos passando dificuldades. A única ajuda que recebemos é a cesta básica do albergue (do Centro Espírita Amor e Caridade), de vez em quando”, revela.
Outro caso semelhante é o de Odete Alves Oliveira, 55 anos. Há 13 anos a paranaense mudou-se para Bauru. Hoje, vive na favela do Jardim Vitória, mas já passou pelo Jardim Ouro Verde e pelo Jardim Solange.
“Viemos para Bauru porque a situação era difícil no Paraná. Não arrumávamos emprego. Eu gostei daqui porque meus filhos e meu marido conseguiram emprego. Só alguns estão desempregados”, diz.
Odete conta que já se acostumou ao Jardim Vitória. Ela saiu do Jardim Ouro Verde para evitar o pagamento de aluguel da casa. Entretanto, reclama das condições da rua de sua casa, que está repleta de buracos. “Acho que a prefeitura deveria pelo menos ajudar a arrumar”, avalia.
A moradora reclama também da dificuldade de comprar alimentos, roupas e calçados para as crianças da família. “Não recebemos nenhuma ajuda. Precisamos de tudo”, enfatiza. Ainda assim, a família reforça que não voltaria ao Paraná para trabalhar na roça.
Sandra Regina da Silva, 24 anos, nasceu em Jaú, mas atualmente mora na favela do Parque Real. “Em Jaú, eu não conseguia emprego e achei que pudesse conseguir em Bauru”, justifica.
Sandra está desempregada. Ela ganha algum dinheiro recolhendo e vendendo materiais recicláveis nas ruas. O marido trabalha como servente de pedreiro. Ainda assim, ela não pensa em sair de Bauru para voltar a Jaú. “Em Jaú, nós dois estávamos desempregados e morávamos longe da cidade”, observa.