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'Lauro' aumentará cota para hanseníase

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

O Programa Nacional de Erradicação da Hanseníase, lançado no início do mês pelo governo federal, vai permitir ao Instituto Lauro de Souza Lima aumentar os atendimentos a pacientes que têm seqüelas da doença e precisam de reabilitação física, como cirurgias reparadoras e órteses e próteses. Atualmente, por mês, o hospital tem autorização do Sistema Único de Saúde (SUS) para atender 60 pacientes nesta área.

O médico Marcos Virmond, diretor-técnico do Lauro de Souza Lima, ainda não sabe qual será a nova cota, mas diz que a medida, extensiva a outros hospitais do País, ajudará a reduzir a demanda reprimida para reabilitação física. “Essa portaria de extra-teto, que é válida para o Brasil inteiro, vai beneficiar várias localidades que têm demanda reprimida. Pacientes do Norte e Nordeste devem ter mais facilidade para serem atendidos perto de suas casas”, diz.

A hanseníase é uma doença incapacitante (pode deixar seqüelas nos braços e pernas), causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, de transmissão respiratória. Os sintomas da doença são manchas na pele e perda da sensibilidade nos pés e nas mãos. Virmond ressalta que a doença é curável e não precisa de internação se for diagnosticada no início.

Porém, os casos mais graves e de tratamento tardio podem levar o paciente a precisar de cirurgia e implante de prótese e órtese. No Lauro de Souza Lima, o paciente aguarda, em média, de três a seis meses para ser atendido nesta área, de acordo com Virmond.

Moisés de Lima, 25 anos, é um dos pacientes que precisam de cirurgia para recuperar os movimentos das mãos. Ele, que percebeu a doença aos 10 anos, é vítima de uma hanseníase agressiva, que causou a atrofia das mãos.

Tratando-se no Lauro de Souza Lima há 11 anos, ele se prepara para mais uma cirurgia. “Eu sei que recuperar 100% dos movimentos é difícil, mas se conseguir 80% está ótimo”, diz lembrando que já fez outras cirurgias.

Natural de Cuiabá (MT), o rapaz conta que percebeu a doença um dia assistindo TV. “Percebi que meu dedo estava tremendo. Antes já havia tido dor no braço, na nuca. Fiz exames, mas não diagnosticaram hanseníase. Depois surgiram manchas na pele e não conseguia mais pegar objetos pequenos, como o lápis na escola”, relembra.

Com as mãos machucadas devido a bolhas, precisou ser internado. A doença foi diagnosticada, ele passou por cirurgias e retomou parte dos movimentos. Reclamando que portadores da doença sofrem preconceito velado, o rapaz ressalta que nunca deixou de fazer o que gostava em função da doença. “Sou músico e faço teatro, mas é preciso mais conscientização, solidariedade com os deficientes”, diz.

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