Criado pela Secretaria do Estado da Cultura em 1995 com o objetivo de atender crianças e adolescentes que vivem em lugares culturalmente carentes por meio da música, o Projeto Guri atende hoje cerca de 23 mil jovens em 101 pólos distribuídos pelo Estado de São Paulo. A partir de maio, Bauru fará parte do mapa de abrangência do programa, com a implantação de uma orquestra-escola e de um coral na Legião Mirim.
O projeto é uma parceria da Secretaria da Cultura, da Legião Mirim de Bauru e do Grupo Pão de Açúcar. Quem viabilizou sua implantação foi o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB). “É um projeto muito importante porque usa a cultura, a música, no combate à violência e pode mostrar o talento dos jovens mais carentes”, afirma o deputado, lembrando que o projeto foi criado para oferecer cultura como forma de prevenção contra a violência.
Segundo Tobias, a Secretaria da Cultura vai fornecer os instrumentos musicais para a formação da orquestra, enquanto a rede de supermercados vai garantir um valor mensal de cerca de R$ 100 mil para o pagamento dos professores.
Os colaboradores do Guri são beneficiados com a Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura (MinC), que permite descontar do Imposto de Renda a pagar o valor do incentivo.
De acordo com o presidente da Legião Mirim de Bauru, Antônio Carlos Martins, o projeto vai começar com a participação de 84 jovens com idades entre 8 e 18 anos, mas a capacidade total do programa poderá chegar até 250 alunos. A Legião foi escolhida para participar do projeto por ser uma entidade que já lida com jovens e possui uma banda. “Estamos há 45 anos em Bauru e já atendemos cerca de 12 mil legionários nesse período”, diz Martins, lembrando que muitos dos que passaram pela entidade - que assiste 400 jovens atualmente - possuem cargos de destaque na sociedade bauruense.
Primeira turma
Tão logo seja implantado, no início de maio (ainda não há uma data determinada), o Projeto Guri terá suas inscrições abertas para o preenchimento das 84 vagas iniciais. Segundo Martins, a divisão será realizada por instrumentos. Serão 24 alunos para as cordas, seis para os sopros, quatro para as madeiras e dez para a percussão. Os 40 restantes serão selecionados para integrar um coral.
“Os inscritos passarão por testes de aptidão”, afirma Martins, para quem os jovens escolhidos devem almejar seguir uma carreira dentro da música. As inscrições serão abertas a toda comunidade, mas as famílias cujos filhos já integram a Legião terão prioridade. Os escolhidos terão aulas duas vezes por semana, das 13h às 17h, na sede da Legião.
A entidade há décadas possui uma banda e essa experiência deve ajudar na formação do grupo, que terá de seis a sete professores, um orientador e um coordenador, cargos estes ainda não preenchidos completamente. “Alguns membros da nossa banda podem fazer parte orquestra”, diz Martins.
Segundo o presidente da Legião, o grupo já tem apresentações marcadas para agosto, dentro do projeto Pão Music, do Grupo Pão de Açúcar; para outubro, na semana da criança e para dezembro, realizando um concerto de Natal.
Na ONU
Em fevereiro de 2001, o Projeto Guri foi escolhido pelo Ministério da Educação para representar as crianças brasileiras na sessão especial da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
Em março de 1997 foi criada a Sociedade dos Amigos do Projeto Guri, uma entidade sem fins lucrativos com sede em São Paulo, para estabelecer uma parceria entre o Estado e a iniciativa privada. Entre as principais atribuições da entidade está a de captar recursos junto às empresas para viabilizar o projeto.