Cultura

Saga de uma formatura


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O caminho estava livre para seguirmos viagem. Tudo claro, bonito, céu azul límpido, calmaria no horizonte, sem vento forte, apenas uma brisa suave e refrescante adentrava pela fresta entreaberta da janela de nosso carro. Era um dia maravilhoso, por que não dizer, parecia-nos até santificado, já que tudo era sofreguidão e indicava uma constante tranqüilidade para todo o dia.

Íamos realmente satisfeitos da vida com uma alegria transbordante e contagiante.

Era como se tivéssemos vencido uma grande batalha e estivéssemos desfrutando as delícias de uma vitória como se fosse nossa e não era, havíamos, entretanto, participado de algumas escaramuças que propiciaram o coroamento glorioso de uma jornada de alguns anos de expectativa, de sobressaltos, de desejos reprimidos, por que nem sempre podiam ser alardeados.

Mas nossos corações sentiam. Nossos pensamentos estavam constantemente voltados para o final da batalha. E os pensamentos eram tão firmes, tão veementes, que, acreditamos, provavelmente tenham produzido alguns efeitos benéficos, pois, telepaticamente, tudo, ou quase tudo, é possível se obter, desde que se tenha firmeza de propósito e constância na meta a ser alcançada.

Íamos assim na paz do Senhor, para nosso segundo lar, que é a casa de nossa filha. Até o trânsito cooperava para que atingíssemos Campinas. Em lá chegando, as flores desabrochando e a alegria reinantes confundiam a tudo e a todos. Era uma festa bem familiar que prosseguiu com os “comes” e “bebes” elaborados pela quituteira, rainha da casa. E assim foi todo o dia até ao acontecimento mor, que foi o baile de formatura.

Ah! Sim, esquecemos de informar que era a coroação de nossa neta como bacharel em direito, daí a razão de nossa despretensiosa viagem; agora, já nos “finalmentes”, com magnífica festa, em local maravilhoso, com espetaculares, melodias variadas, com crooners se revezando e uma plêiade de bailarinas exuberantes, que a todos extasiava pelos portes elegantes e belezas inconfundíveis. Tudo isto aliado a uma mesa farta e indescritível, tal a variedade e abundância dos acepipes.

E assim foi-se mais um sábado que ficará marcado em nossos corações para que recordemos aqueles momentos felizes que juntos desfrutamos. Permita Deus que tenhamos outros sábados, e que outras pessoas também os tenham com o mesmo carinho, satisfação e a alegria que pudemos usufruir neste outono.

O autor, Itamir Crivelli, é escritor, advogado e colaborador do Ju Machado Escritório de Arte.

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