Política

Nilson mexe em pastas e mantém perfil

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A oito meses do final do mandato, o prefeito Nilson Costa (PTB) tem a missão de realizar alterações em seu governo, nesta semana, que possam, ao mesmo tempo, não gerar debandada política e não antecipem o clima de final de mandato em função do período eleitoral. De olho nesse quadro, a indicação é de que o prefeito realize modificações em seu secretariado sem alterar o perfil político do núcleo que o apoia.

Algumas alterações estão ocorrendo por inesperados problemas de saúde. Mas outras acontecem por uma necessidade de reorganização dentro do governo. Em síntese, o chefe do Executivo tem a missão de mexer sem gerar ebulição que afete a convivência dentro do PTB e o PPS. Os dois partidos são, na prática, os que continuam diretamente com o governo. Ao lado, o PC do B continua colaborando.

A única pasta que não se encaixaria nesse quadro seria o Jurídico. Nesta área, o governo discute um nome de peso dentro do meio jurídico local que possa produzir os mesmos efeitos positivos conquistados a partir do currículo do ex-juiz Emir Maddi, que deixou a Secretaria dos Negócios Jurídicos (SNJ) para cuidar da saúde.

O nome do procurador Antonio Carlos Martinez foi ventilado, ontem, para a SNJ. Mas, em época de intensa turbulência no campo jurídico, o governo não estaria disposto a arriscar nesta fase final de mandato. “O Antonio Carlos Martinez deve ser indicado para responder pela pasta, até que o governo conclua a discussão em torno de um nome que preencha o perfil do doutor Emir”, citou o chefe de Gabinete Antonio Sérgio Marsola, ontem à tarde.

As pastas de Obras e Administrações Regionais (Sear) também terão que ser ocupadas por outra pessoa, enquanto Arlindo Figueiredo se recupera de um problema de saúde. Ele vinha acumulando as duas pastas. Antes, há cerca de um mês, Obras era comandada pelo peemedebista Jorge Monteiro. Mas o PMDB deixou o governo para preparar seu projeto de participação nas eleições municipais de outubro próximo.

Situação mais incômoda ocorre dentro da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb). O ex-diretor Waldomiro Fantini Júnior não tem mais clima para permanecer no cargo, tendo em vista o cenário de dificuldades financeiras enfrentadas nos últimos meses sem a contrapartida de repasses pelo governo.

Alguns nilsistas tentam convencer o prefeito a indicar Antonio Carlos Duarte, atual diretor de Limpeza Pública para presidir a empresa. Mas as informações no Gabinete são de que Duarte pode ser interino. O engenheiro saiu desgastado da Secretaria de Obras e sem conseguir produzir o que a área exige.

Outra possibilidade é o governo decidir pela confirmação de interinos em várias pastas. Ainda que a medida gere perdas salariais para seus ocupantes, Finanças, Educação, Meio Ambiente e Bem-Estar podem ter a interinidade tornada definitiva nos próximos dias.

Em alguns desses casos, as nomeações permanecem interinas porque os subsídios acumulados ao longo da carreira são maiores que o vencimento oferecido ao secretário. Ou seja, a falta de um plano de cargos e salários renovado na carreira pública municipal prejudica até a escolha da equipe principal de governo.

Um secretário, hoje, recebe R$ 3,6 mil brutos. Mas a passagem por diferentes níveis na carreira e a obtenção de adicionais e incorporação geram remuneração melhor para quem permanece na condição de interino.

Outro aspecto para a confirmação dos cargos é o compromisso com o grupo que pretende formar aliança para as eleições de outubro. Ou seja, assume o ônus e o bônus quem for do time.

O assessor de Gabinete, Luiz Freitas (PPS), encara as mudanças como naturais. “o prefeito Nilson Costa está conversando tendo em vista as questões de cunho pessoal enfrentadas na área jurídica e de Obras. De outro lado, o prefeito sempre prestigiou servidores de carreira e aproveitou muitos quadros internos ao longo do mandato, valorizando o servidor”, comentou.

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