Agudos - Depois de cinco décadas de funcionamento, a Cadeia Pública de Agudos (15 quilômetros a Sudeste de Bauru) será desativada hoje. A informação foi divulgada ontem pelo titular da Delegacia Seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, um dia após o registro de uma rebelião que incendiou parcialmente o presídio.
O delegado afirma que o prédio de Agudos já figurava na lista das cadeias que estão sendo desativadas pela Seccional. Entretanto, com a rebelião de anteontem, o processo foi acelerado. “Foi mais um incentivo”, diz.
Segundo Ciocca, outro fator que contribuiu para essa decisão foi o resultado de um laudo divulgado recentemente pelo Instituto de Criminalística (IC). O documento apontou que a Cadeia de Agudos está em precárias condições e não oferece segurança necessária para abrigar os presos.
“No pátio de sol, o muro está balançando, um empurrão mais forte o levaria para o chão. O telhado dos corredores é de madeira, frágil. Além disso, existe muita infiltração no piso e nas laterais, o que torna fácil a abertura de um buraco”, descreve o delegado. A situação tornou-se mais delicada após os estragos causados durante o incêndido de anteontem.
Oito detentos do sexo masculino, que estavam no local até o fechamento desta edição, serão transferidos temporariamente para a Cadeia de Pirajuí. De acordo com Ciocca, a única presa acomodada em Agudos, Solange Diniz Santana, ex-mulher do ex-vereador de Bauru, Roberto Bueno, será transferida para o presídio de Duartina.
Com a inauguração do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, a Seccional já desativou, pela ordem, as cadeias de Piratininga, Lençóis Paulista, Bauru, Reginópolis e Pederneiras.
Após a desativação de Agudos, continuam hoje em funcionamento os prédios de Avaí, Cabrália Paulista, Pirajuí e Duartina.
Entretanto, Ciocca esclarece que os dois últimos também devem ser fechados em curto prazo. “Dentro do projeto do governo de passar os presos da Secretaria de Segurança Pública para as Administrações Penitenciárias, com a criação dos CDPs, a desativação das cadeias é um processo gradual”, diz.
Na área da Seccional de Bauru, apenas Avaí e Cabrália continuarão recebendo presos provisórios, do sexo masculino e feminino, respectivamente.
Rebelião
A rebelião de anteontem na Cadeia de Agudos começou por volta das 18h. Os presos colocaram fogo em colchões e roupas, que foram atirados para o corredor de acesso às celas. Além do corredor, o fogo atingiu o forro da cadeia, e comprometeu a parte elétrica do presídio. “Metade da cadeia foi afetada”, conta o delegado de Agudos, Carlos Ricardo Mariotto.
Segundo ele, os presos não teriam revelado o motivo do protesto. Mariotto desconfia que o objetivo seria dar início a uma suposta tentativa de fuga. “A idéia era criar um tumulto”, diz.
No momento da revolta, o prédio, com capacidade para 30 presos, contava com apenas 12. Policiais civis e militares foram acionados para controlar a rebelião, fato que ocorreu somente depois de 1 hora. Ninguém ficou ferido.
Os presos foram levados para o pátio e o Corpo de Bombeiros controlou o fogo. Após serem submetidos a revista, os detentos foram encaminhados para as celas, que não foram atingidas pelas chamas.
O delegado não soube precisar a última ocasião em que ocorreu uma rebelião no presídio, antes do registro de anteontem.