Economia & Negócios

Servidor da Unesp quer 16% de reajuste

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

Os docentes e funcionários da Universidade Estadual Paulista (Unesp) apresentaram no início do mês as reivindicações para a negociação da data-base deste ano e devem participar do primeiro encontro com o Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp) no próximo dia 7. Os servidores pedem reajuste salarial de 16% e contratação de funcionários e professores com dedicação exclusiva, além de recursos para assistência estudantil, como bolsas e auxílio moradia.

De acordo com o presidente da Associação de Docentes da Unesp (Adunesp), Milton Vieira do Prado Júnior, o reajuste de 16% é referente à reposição da campanha salarial do ano passado e inflação do período. “É o valor que recomporia os salários e as perdas históricas dos servidores desde 2000. Desde a implantação da autonomia nas universidades, tivemos uma perda do poder aquisitivo em torno de 49%. Os salários são 49% menores do que nas escolas privadas”, afirma.

Prado Júnior também é coordenador do Fórum das 6, que reúne os sindicatos dos docentes e funcionários da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade de Campinas (Unicamp), além da Unesp. Ele ressalta que a pauta conjunta de reivindicações inclui a reposição de professores e funcionários que se aposentaram nos últimos anos.

“O reitor vem contratando professores com dedicação parcial, simplesmente para dar aulas, o que descaracteriza o ensino, a pesquisa e a extensão. Além disso, também há os professores conferencistas, que podem lecionar só por 89 dias corridos, para não ter vínculo empregatício. Com isto, a qualidade do ensino vai sofrer”, declara Prado Júnior.

Segundo o presidente da subsede de Bauru da Adunesp, Gilberto Magalhães, a realidade dos câmpus da instituição é muito diferente do que a reitoria vem divulgando. “O reitor (José Carlos Souza Trindade) vem dizendo que professores serão contratados e que não há problemas nas faculdades, mas a movimentação estudantil mostram que a situação é muito diferente”, diz.

No último mês, alunos das três faculdades de Bauru promoveram uma paralisação das atividades como protesto contra a falta de docentes e a contratação de professores conferencistas. Magalhães indica que os servidores devem organizar também uma paralisação, no início do mês de maio, próximo à data da reunião com o Cruesp.

“Faremos um ato para apresentar a necessidade das negociações efetivas e também discutir a reforma universitária, que o governo deve realizar neste ano e que pode se tornar um problema para as universidades públicas”, comenta.

O diretor executivo do Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp), Flávio César Ferraz, completa que a falta de investimentos nas instituições e os atuais problemas financeiros da Unesp - ampliados desde a criação de novos câmpus com a política de expansão de vagas - só serão sanados caso o percentual de arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) destinado às universidades seja ampliado.

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