O cemitério de Piratininga (13 quilômetros a Sudoeste de Bauru) não tem mais espaço para enterrar ninguém. Instalado em 1910 com o nome de Necrópole Municipal Coração de Jesus, ele foi loteado por um funcionário público sem conhecimento da administração municipal, em 94. O resultado foi o mais desastroso possível. Alguns lotes foram vendidos várias vezes para pessoas diferentes e ruas foram transformadas em lotes deixando a necrópole sem corredores para cortejo. O caso foi parar na Justiça. O funcionário foi demitido a bem do serviço público e responde há vários processos.
O secretário de Obras do município, Antônio Alvares Rodrigues, explica que a confusão feita pelo ex-funcionário da prefeitura não teve uma solução definitiva, visto que a cada dia aparecem novos compradores, com recibo de pagamento. “Essas pessoas não podem ser lesadas. A prefeitura tem que fornecer o local para o sepultamento, afinal elas pagaram.”
Para solucionar provisoriamente o problema, a administração pública resolveu criar os túmulos verticais. “Num mesmo espaço são feitas três e até quatro gavetas. Em cada uma delas está enterrado um morto de família diferente.”
A solução caseira criou um tipo de túmulo atípico e pode causar confusão no Dia de Finados, prevê o secretário. “São várias famílias que vão visitar o mesmo túmulo.”
Uma nova necrópole para a cidade não está descartada. “Temos dificuldades financeiras para desapropriar uma área adequada. A hipótese de ampliação do cemitério atual está descartada, porque a lei ambiental não permite mais que necrópoles fiquem ao lado de residências.”
Os obstáculos não param aí, informa Rodrigues. “Temos que fazer uma pesquisa antes para saber se o local é aprovado pela Cetesb. Algumas áreas têm outros problemas ou são muito valorizadas.”
Ele lembra que a proposta da prefeitura era fazer uma venda casada. “A prefeitura iria vender alguns de seus terrenos para comprar um adequado para instalar o novo cemitério, mas a Câmara não aprovou.”
O secretário prevê que, para instalar um novo cemitério, a administração teria um custo aproximado de R$ 250 mil. “Deve gerar de 1.000 a 1.500 vagas.”
O presidente da Câmara Municipal de Piratininga, Argemiro Parizoto, acha que é possível ampliar a área do atual cemitério da cidade. “A prefeitura tem uma área ao redor. É só derrubar o muro e ampliar mais seis metros.”
Ele calcula que a ampliação possibilitaria espaço para mais 100 túmulos. “Não precisa desapropriar e nem vender área para expandir o cemitério”, opina.
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Comércio ilegal de túmulos
A venda ilegal de lotes na necrópole municipal de Piratininga foi descoberta no final dos anos 90 quando um funeral chegou no cemitério e a cova não estava no lugar que a família havia comprado. O ex-funcionário solucionou o problema na hora, retirando os ossos de um morto do lote e colocando o outro.
A família não teria gostado e foi reclamar na prefeitura. “A partir daí, é que descobrimos e tivemos provas do que ele estava fazendo. Hoje, o cemitério está todo desorganizado.”
O preço dos lotes comercializados pelo ex-funcionário, de acordo com o secretário, variava. “Ele fazia o seu preço. Temos provas de que ele vendia três lotes por R$ 36 mil. Outro foi vendido por R$ 17 mil e havia lote que ele comercializava por R$ 2.250,00.”
O caso está na Justiça e a prefeitura tenta receber o dinheiro arrecadado por ele.