A Faculdade de Ciências (FC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru comemora seus 35 anos dividida. Por um lado, abriga laboratórios com tecnologia de ponta e projetos de extensão de qualidade reconhecida. Por outro, alunos estão em greve por falta de laboratórios e de professores, problemas crônicos do câmpus local, evidenciados nos novos cursos de pedagogia e química.
Com cerca de 2 mil alunos em nove cursos de graduação (além de pedagogia e química, psicologia, física, matemática, educação física, ciências biológicas, ciências da computação e sistemas de informação) e dois de pós-graduação (educação para a ciência e ciência e tecnologia de materiais), a FC celebra o aniversário com uma programação que começa amanhã e se estende até sexta-feira.
Para o diretor da FC, José Brás Barreto de Oliveira, a principal característica da faculdade é reunir as áreas de humanas, exatas e biológicas nos seus cursos. “Essa é uma característica da faculdade: ela é bastante heterogênea e contempla todas as grandes áreas do conhecimento”, diz.
Embora reconheça as dificuldades da FC, principalmente em relação à falta de professores, Brás observa que 85% dos cerca de 150 docentes são doutores - praticamente a mesma média de toda a Unesp. “É uma média bastante expressiva. Houve um incremento muito grande da titulação dos docentes”, afirma.
O diretor também aponta a FC como importante centro de discussão para formação de “massa crítica” científica. “Os congressos que nós sediamos aqui na faculdade mostram a inserção da faculdade na comunidade acadêmica nacional e internacional”, declara.
Segundo Brás, a aprovação da reforma da Previdência agravou a situação da falta de docentes, com a aposentadoria dos professores mais antigos e a contratação de conferencistas (com carga horária e salários menores e sem vínculo com a universidade). “Faltam professores na Unesp como um todo”, afirma.
Na opinião de Brás, mesmo em época de “restrição orçamentária”, a FC tem incentivado a formação de professores, com cursos de pós-doutorado no Exterior ou especializações em didática. “Nós, professores, fazemos mestrado e doutorado mas descuidamos da parte didática”, diz. E acrescenta: “Temos também um programa muito interessante de capacitação permanente de nossos servidores técnicos. A gente entende que com isso consegue prestar um serviço de melhor qualidade para os alunos e para a comunidade”.
Pós-graduação
Para breve, Brás anuncia a proposta de um curso de pós-graduação de psicologia do desenvolvimento e aprendizagem, o primeiro em Bauru na área de psicologia. Neste ano, a FC já havia inaugurado os programas de mestrado e doutorado em ciência e tecnologia de materiais, um curso novo e multidisciplinar. “Nossa prioridade serão os novos programas de pós-graduação. Isso fortalece a graduação e incentiva grupos de pesquisa”, afirma.
De acordo com Brás, que é professor da física, os projetos de extensão (um dos pilares da universidade pública) estão também cumprindo seus objetivos em relação ao atendimento à comunidade. Ele observa que o Centro de Psicologia Aplicada (CPA), por exemplo, realizou 7 mil atendimentos em 2003. “Desenvolvemos também projetos muito interessantes, como o de aconselhamento genético e o de ginástica olímpica para crianças carentes”, completa.
• Serviço
Outras informações sobre a Faculdade de Ciências e o aniversário de 35 anos podem ser obtidas no site www.fc.unesp.br.