A análise da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) aponta que as águas do rio Batalha, responsável pelo abastecimento de 43% da população de Bauru mesmo com problemas de assoreamento, apresentam boas condições. O ponto de amostragem para o relatório de qualidade das águas interiores do Estado fica entre Piratininga e Bauru, não muito distante do ponto de captação do Departamento de Água e Esgoto (DAE).
De acordo com o gerente da divisão de qualidade das águas da Cetesb, José Eduardo Bevilacqua, a análise de qualidade das águas para a proteção da vida aquá-tica apresentou índices ótimos durante todo o ano passado. “O Batalha é um rio aquaticamente bom, que sempre teve índices positivos. E o índice de vida aquá-tica é mais criterioso do que outros índices da Cetesb. Se ele indica condições ótimas, é sinal de que Bauru tem um manancial de primeira na região”, comenta.
Bevilacqua explica que a análise do rio Batalha não foi completa, assim como outros rios que não apresentam grande variação de qualidade da água durante o ano. “Alguns pontos no relatório têm menos dados, pois são de monitoramento regional e não requerem acompanhamento intenso, pois não há grande variação em suas condições”, esclarece.
No ano passado, pela quinta vez consecutiva, o Batalha apresentou redução de mais de 50 centímetros em seu nível nos meses de estiagem. Para tentar sanar o problema, o DAE praticamente triplicou o leito de captação do rio, além de dobrar sua profundidade. Uma draga desenvolvida por funcionários da autarquia retirou a areia que desce ao longo do rio e se acumula no fundo - o assoreamento. O leito de captação chegou a ficar com 350 metros de extensão, 65 metros de largura e 2,2 metros de profundidade, situação em que ainda se encontra atualmente.
Ao longo do rio, no entanto, os problemas de erosão nas margens e assoreamento em seu leito continuam críticos. Em alguns trechos, a profundidade não passa de 30 centímetros e a largura não alcança um metro. O rio abastece principalmente as regiões da Vila Falcão, Vila Independência, Centro e Zona Sul da cidade.
Em ponto próximo do Parque dos Sabiás, um proprietário instalou uma cerca nos limites de seu terreno, passando sobre o rio. O mato já tomou a estrutura, que impede a passagem do lixo que se acumula no local. A situação prejudica o fluxo da água e ainda amplia o assoreamento do rio nesse trecho.
De acordo com Marco Antônio Falcão Arantes, analista de projetos ambientais do Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DPRN), o proprietário de qualquer terreno que integre uma área de preservação permanente deve requerer autorização do órgão para realizar qualquer alteração no local, como a construção de uma cerca. No caso do rio Batalha, a área de preservação seria de 30 metros a partir de seu leito.
“Como a propriedade é nos dois lados do rio, a pessoa pode ter se sentido no direito de cercar a área. Mas não é permitido impedir a transposição da água ou o curso do rio. O proprietário deve limpar o local e mudar a cerca para evitar que o lixo continue se acumulando”, conclui Arantes.