A Igreja Católica escolheu a água como tema da Campanha da Fraternidade (CF) de 2004 e, em Bauru, membros da Paróquia Sagrada Família decidiram aproveitar o fato para defender a preservação do córrego Água Comprida, que corta a região do Sambódromo. Ontem à tarde, eles protocolaram, junto ao Ministério Público (MP), um documento que pede a preservação do córrego.
O geógrafo José Aparecido dos Santos, diretor de meio ambiente da Associação de Geógrafos Brasileiros em Bauru e membro da paróquia, afirma que os problemas mais graves encontrados no local são o aterro de uma voçoroca e a construção de uma caixa de contenção de águas pluviais, obras que estão sendo executadas por loteadores, com autorização da prefeitura, perto da nascente do Água Comprida.
Segundo Santos, o aterro é necessário, já que a voçoroca chegou a ter 300 metros de extensão, mas o trabalho precisaria ser feito de outra maneira. “Eles estão colocando entulho misturado com material orgânico e, dessa forma, não há a compactação do solo. Além disso, não está prevista a captação da água do lençol freático por um sistema de drenagem”, potesta.
Já com relação à caixa de contenção de águas pluviais, construída a cerca de 100 metros do aterro, a crítica é outra. “Há vários loteamentos naquela área e essa obra não vai suportar o volume de água que irá receber no futuro”, argumenta.
O documento entregue ao MP foi elaborado a partir de uma vistoria feita por um grupo de paroquianos no último mês. “Não estamos apenas denunciando, mas também apresentando provas como fotos tiradas há cinco anos e outras mais recentes”, comenta Santos.
O geógrafo também encaminhou à Promotoria cerca de mil assinaturas colhidas junto à comunidade. No Fórum, ele esteve acompanhado por outros dois membros da paróquia, Dionizio Paschoarelli e Edson Hurtado Cândido.
Providências
O promotor do Meio Ambiente de Bauru, Luiz Eduardo Sciuli Castro, afirma que irá analisar o material entregue ontem. “Vou confrontá-lo com outros documentos que recebi anteriormente e, depois disso, definirei as providências que deverão ser tomadas”, declara.
A secretária municipal de Planejamento, Maria Helena Rigitano, que também recebeu cópia da denúncia, afirma que técnicos das secretarias de Obras e do Meio Ambiente estão acompanhando o andamento das obras e, caso alguma irregularidade seja confirmada, os loteadores serão acionados para que façam os reparos necessários.
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Ações
Além de procurar o Ministério Público (MP), os membros da Paróquia Sagrada Família também decidiram adotar outras medidas para preservar o Água Comprida. Anteontem, por exemplo, eles promoveram um plantio de mudas na margem do córrego.
O paroquiano José Aparecido dos Santos acredita que a Campanha da Fraternidade (CF) prestou um grande serviço ao meio ambiente escolhendo a água como tema em 2004. “Nunca se viu tanta mobilização e ações práticas concretas para a preservação desse importante elemento da natureza como agora”, opina.
Para Santos, esse fenônemo vem se repetindo nas CFs dos últimos anos. “Em 2003, por exemplo, tivemos diversas ações que culmiram com a aprovação do Estatuto do Idoso”, comenta.