Sorte de quem chega a Coimbra quando o sol vai se pondo. Por ser banhada pelo rio Mondego, a luminosidade de seus prédios seculares e das pontes é refletida na água. Um espetáculo completado pela torre da Universidade de Coimbra que fica no topo do colina.
Passear pelo rio em basófias (barcos) é outro programa indispensável para se fazer na cidade. O rio Mondego nasce na Serra da Estrela, a mais alta do país e vem abraçar a cidade de Coimbra, onde é cantado há tantos séculos pelos estudantes universitários, encaminhando-se depois na direção do oceano Atlântico, para desaguar junto da extensa praia da Figueira da Foz.
No caminho entre Coimbra e Figueira da Foz, não deixe de visitar quintas famosas como a Companhia Vinícola Cantanhede, que produz excelentes vinhos portugueses, caso do Marquês de Marinalva. Se estiver com tempo, hospede-se em Cantanhede - onde fica a vinícola - no hotel do mesmo nome.
Pertence a um brasileiro que viveu anos em Piracicaba e adora receber os “parentes” tupiniquins. No restaurante do hotel delicie-se com um dos pratos mais saborosos da região: o leitão à bairrada. De dar água na boca de tão crocante.
Ainda nas imediações de Coimbra, há lugares gastronômicos que são uma verdadeira tentação, como a “Pousadinha” que produz os pastéis de Tentúgal, com massa finíssima que é estendida como um imenso lençol antes de receber recheio, e monumentos importantes, como o Mosteiro de Alcabaça e o de Batalha, com as capelas imperfeitas e o Castelo de Montemor - o velho -, que fica do lado do rio Mondego e tinha importância estratégica na época da ocupação moura.
O Mosteiro da Batalha ou de Santa Maria da Vitória mistura o estilo manuelino com o gótico. Parecem rendas os acabamentos das aberturas do claustro, com elementos exóticos entalhados: abacaxis e outras frutas, misturados com cordas e nós, em referência às grandes navegações e descobertas.
O mosteiro começou a ser construído em 1385, por Dom João I, em promessa à Virgem pela vitória sobre os espanhóis na batalha de Ajubarrota.
A conclusão da obra ocorreu somente cinco reinados depois. Dentro dela, estão enterrados os filhos de Dom João I, entre eles o infante Dom Henrique, o Navegador (1394-1460), o fundador da Escola de Sagres e bastante conhecido pelos brasileiros que se amarram em história.
A igreja do mosteiro é uma das maiores de Portugal, com mais de 80 metros de comprimento e 32 de altura. Tudo ali impressiona, inclusive a varanda das Capelas Imperfeitas, em forma hexagonal. O nome se deve ao fato de nunca ter sido concluída. Sem teto e sem telhado, ficou ainda mais surpreendente com a luz solar se encarregando de mostrar os detalhes do gótico manuelino com tumbas de nobres.
Já o Mosteiro de Alcobaça é o retrato do despojamento. Os monges de Cistér optavam por locais sem qualquer luxo e decoração. Exatamente 999 monges conviviam pacificamente, dormindo no mesmo aposento, cultivando as letras, a ciência e a terra (a primeira farmácia e a primeira escola de Portugal começaram aí). A maior igreja de Portugal (110 metros de comprimento) onde estão Pedro e Inês fica dentro do mosteiro.