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Moldes não são recolhidos em Bauru

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Os medidores usados nas cirurgias para implante de prótese mamária não estão sendo recolhidos das clínicas de Bauru pela Vigilância Sanitária. Até ontem à tarde, o órgão ligado à Direção Regional de Saúde (DIR-10) não havia sido notificado sobre a apreensão, embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenha publicado anteontem no Diário Oficial da União uma resolução determinando a interdição dos moldes.

A Secretaria do Estado da Saúde também determinou a recolha dos produtos da marca Similed (empresa nacional). Por essa razão, a Vigilância de Saúde (Visa) de Campinas já visitou 19 instituições do município e recolheu 24 medidores desde quinta-feira. Até ontem, a cidade havia registrado 26 dos 28 casos suspeitos de infecção em pacientes que usaram medidor. Um deles foi relatado em Jundiaí e outro em Morungaba (Goiânia).

O problema ainda não foi detectado nas clínicas de Bauru, onde os cirurgiões plásticos utilizam produtos da Silimed e de marcas francesas como a Eurosilicone e Perthese, todos com contaminações comprovadas em Campinas.

“Entre os dez casos confirmados, há sete casos de produtos Silimed, dois de Eurosilicone e um de Perthese. Entre os sete suspeitos, há cinco da marca Silimed, um da Eurosilicone e um da Perthese”, informa, a diretora técnica da Divisão de Infecção Hospitalar do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), Maria Clara Padoveze.

De acordo com ela, os fatos apontam para um surto de fonte única, que pode já ter sido contido. No entanto, Padoveze não descarta novas notificações. Apesar da polêmica, os profissionais ouvidos pelo JC garantem que as pacientes com cirurgia marcada para as próximas semanas em Bauru não desistiram de aumentar o peitoral.

Sem desistências

“Existem muitas perguntas, principalmente entre os colegas, mas sem desistências ou adiamento por parte das pacientes. Tenho uma cirurgia marcada para quinta-feira”, conta o cirurgião plástico Agnaldo Elon Disarz. Segundo ele, sua experiência profissional indica que as infecções tenham sido provocadas por problemas de esterilização dos moldes.

Já o cirurgião Valter Luiz Prado Curvêllo acha que é prematuro avaliar a razão das infecções. Ele aguarda o resultado das investigações realizadas pela Anvisa e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. “Não está confirmado que é o medidor”, diz. O Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde confirma que outros produtos, como a prótese, também estão sendo investigados.

As pacientes de Curvêllo, assim como as do cirurgião Antonio Guedes de Assunção, também não desistiram da operação. “Nós não usamos este tipo de procedimento (de colocar os moldes) durante o ato cirúrgico”, ressalta Assunção, que não recebeu nem telefonemas de suas pacientes que se submeteram recentemente à cirurgia.

A tranqüilidade notada pelos médicos é confirmada por Rosimeire Aparecida de Oliveira, que passou pela operação há dez dias. “Não estou nem fiquei com receio. Graças a Deus correu tudo bem. Pensei bem antes de fazer a cirurgia e escolhi um bom profissional. A pessoa tem que saber com quem vai fazer (a operação)”, recomenda.

Por causa das infecções registradas principalmente na região de Campinas, ela tem sido muito ‘assediada” por colegas interessadas em saber sobre suas condições de saúde.

Percebe o mesmo interesse das pessoas Érika Carolina Forte, que colocou o implante no final de janeiro deste ano. “Mesmo sabendo que faz tempo que fiz, as pessoas me abordam para saber”, comenta.

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O que são medidores

Os medidores são peças de silicone de uso interno durante a cirurgia semelhantes ao do implante mamário. Compostos por material um pouco mais espesso, eles servem para que o cirurgião plástico cheque o tamanho adequado da prótese a ser utilizada na paciente. Um único molde é utilizado em várias mulheres em ocasiões diferentes.

Não há limite para empregar o mesmo medidor, que permanece em uso enquanto seu estado geral for considerado bom.

Alguns profissionais têm seus próprios moldes e se responsabilizam pela esterilização do produto. Outros pedem a peça emprestada às distribuidoras, que também providenciam a eliminação dos germes.

Esse procedimento pode ser realizado por meio de vapor, estufa ou com a utilização de uma substância mais moderna e eficaz chamada óxido de etileno.

Independentemente do produto utilizado durante a esterilização, os profissionais de saúde devem suspender o uso de medidores enquanto vigorar a resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Distribuidores e fabricantes deverão retirar os produtos do mercado, sob pena de serem autuados de acordo com a lei 6437/77, que prevê notificação e multa que variam de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão.

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