Dos 1.391 bebês que nasceram na Maternidade Santa Isabel e passaram pelo ‘teste da orelhinha’, exame aplicado para identificar deficiência auditiva, 52 falharam na triagem. Mas a confirmação de um eventual problema de audição ainda depende do diagnóstico realizado na clínica do curso de fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), da Universidade de São Paulo (USP).
Por enquanto, a perda auditiva foi confirmada em apenas uma criança, informa a professora do curso de fonoaudiologia da FOB, Kátia Alvarenga. Ela é umas das coordenadoras do Programa de Identificação e Intervenção desenvolvido na maternidade, desde o final de setembro do ano passado.
“Já é comprovado cientificamente que um ágil diagnóstico e a intervenção precoce da deficiência possibilitam que a criança apresente não apenas o desenvolvimento de linguagem, mas o desenvolvimento global comparável ao das crianças normais na mesma faixa etária”, ressalta.
O ideal é que o exame seja realizado 48 horas após o nascimento, quando a orelha do recém-nascido já está sem o líquido amniótico (substância que envolve o bebê), explicam as fonoaudiólogas Raquel Sampaio Agostinho e Ana Dolores Passarelli de Melo.
Elas aplicam o teste nos bebês, que recebem uma sonda na parte externa do ouvido. Conforme o JC já publicou, o equipamento emite um som para estimular a região interna da orelha, que produz um som captado reversamente na sonda e registrado no computador. O exame é indolor, rápido e, para não sofrer alterações, deve ser aplicado, de preferência, quando o bebê está dormindo.
Acordada, Jenefer Malaquias Rodrigues chorou ao deixar o colo materno para fazer o teste, que será repetido em breve. A mãe dela, Rúblia Mara de Carvalho Rodrigues, desconhecia o exame, mas agora o considera necessário.
“É extremamente importante (a aplicação do teste) em recém-nascidos. Detectar no consultório é muito tardio. Os pais só percebem (a deficiência) na hora da fala. Pensam que o filho tem algum outro problema e levam ao consultório. Lá fazemos testes rudimentares, com chocalho por exemplo. Depois encaminhamos para especialistas.”, comenta a pediatra da maternidade, Marília Simões Garcia.
Cerca de 700 profissionais que trabalham com o tratamento auditivo destas crianças estão participando do 19.º Encontro Internacional de Audiologia, aberto anteontem na FOB.
Hoje, às 9h, o Teatro da Universidade do Sagrado Coração (USC) recebe a especialista em educação especial e coordenadora de terapia e reabilitação do Hospital Geral do México (HGM), Lílian Flores-Beltrán. Ela vai falar sobre os modelos mexicanos de reabilitação auditiva e os critérios técnicos para o oferecimento de implantes cocleares, os “ouvidos biônicos”.
Outros conferencistas nacionais e internacionais também vão demonstrar estudos e casos clínicos a mais de 800 inscritos de várias partes do País. Amanhã, será realizada a assembléia geral da Academia Brasileira de Audiologia (ABA) - promotora do encontro - e o encerramento do evento.