Regional

Prefeito assume Iacanga com discurso conciliador

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Iacanga - O novo prefeito de Iacanga (50 quilômetros a Norte de Bauru), José João Segmatz (PDT), assumiu a cadeira do Executivo com um discurso de conciliação. Ontem, em sua primeira manhã de trabalho, o pedetista reuniu-se com os vereadores da Câmara com o objetivo de “apaziguar” os ânimos políticos na cidade e abrir um canal de diálogo entre Executivo e Legislativo. O mesmo discurso também foi defendido por moradores da cidade, já “cansados” do embate acirrado entre os dois grupos políticos locais: conhecidos como Pica-paus (que apóiam o ex-prefeito Durvalino) e Aroeiras.

“Iacanga sempre viveu entre dois grupos políticos com uma rixa muito grande. E, se eu ficar até o dia 31 de dezembro, eu quero deixar uma marca de conciliação entre Executivo e Legislativo, porque ninguém consegue trabalhar separado”, discursa o prefeito.

Segmatz tomou posse anteontem à noite em Iacanga, depois que o prefeito Durvalino Afonso Ribeiro (PFL) foi cassado pelo Legislativo sob a acusação de improbidade administrativa e falta de decoro.

O chefe do Executivo, que rompeu no ano passado relações políticas com Durvalino, garante que não pretende fazer “revoluções” na administração municipal. Ele afirma que dará continuidade às obras iniciadas pelo ex-prefeito e manterá a maior parte da equipe do primeiro escalão. Dois secretários municipais devem ser substituídos nos próximos dias, entretanto Segmatz preferiu não adiantar os nomes.

Entres as obras que o prefeito promete dar prosseguimento, estão a reforma do cemitério municipal, além da construção de casas e a implantação do asfalto no loteamento Estância Iacanga, localizado na entrada da cidade. O chefe do Executivo também afirma que pretende dar atenção ao turismo e a projetos que exigem maior planejamento, como saneamento básico e criação de um novo distrito industrial para o município.

Na prática, Segmatz tem pouco tempo para “imprimir sua marca” na prefeitura. Isso porque faltam pouco mais de seis meses para o final desse mandato. Além disso, não está descartada a possibilidade do ex-prefeito Durvalino recorrer na Justiça da decisão do Legislativo e retornar ao cargo por força de uma liminar. Segundo apurou a reportagem, ontem, Durvalino já contatou advogados para sua defesa.

Segmatz informou que não vai disputar às eleições municipais deste ano. Como Durvalino, o novo prefeito está respondendo a um processo na Justiça Eleitoral por propaganda indevida durante a campanha eleitoral de 2000. “Eu não posso ser candidato devido a esse processo em andamento”, diz.

No ano passado, Segmatz rompeu com o grupo de Durvalino, filiando-se ao PDT. O prefeito preferiu não tecer comentários sobre os motivos dessa ruptura, nem sobre as acusações envolvendo Durvalino.

Inacessível

Durvalino não atendeu ontem à tarde a reportagem em sua residência. Pelo interfone, a esposa do ex-prefeito informou que ele estaria “indisposto”. Na entrada das ruas que dão acesso a sua casa, obstáculos interditavam a passagem dos veículos. Segundo moradores, os cavaletes de madeira foram colocados no local anteontem, no mesmo dia da cassação.

Durvalino foi cassado porque, no entendimento do Legislativo, teria cometido uma série de irregularidades, entre elas, ter editado decretos desapropriatórios em terras de sua propriedade particular, com finalidade de facilitar o parcelamento do solo e obter lucro ilícito.

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Paz na política

“Eu quero que Iacanga tenha paz daqui para frente”. O desabafo do morador Marcos Vieira da Silva, 63 anos, reflete a opinião de grande parte dos entrevistados consultados pela reportagem na ruas da cidade ontem.

Na avaliação de Silva, a rixa estabelecida há cerca de uma década entre os grupos políticos da cidade, conhecidos como Pica-pau e Aroeira, tem sido motivo de desassossego para a população e impedido o desenvolvimento do município. “Eu espero que ele (José João Segmatz) seja prefeito dos iacanganses. Sem Pica-pau, sem Aroeira, vamos sepultar isso na cova rasa”, diz o morador, para quem a divergência entre os grupos na cidade extrapolou os limites da “boa política”.

A mesma opinião é compartilhada pelo aposentado Joaquim Fernandes Filho, 66 anos, que votou nas últimas duas eleições em Durvalino. “Essa rixa política não traz benefícios para a cidade”, diz.

A moradora Maria Aparecida Mariano, 38 anos, se diz envergonhada com a imagem negativa do município no plano político. “É muito feio quando a gente lê o jornal vendo a imagem da cidade desse jeito”, diz.

A vendedora Cláudia Moreira Alves, 27 anos, também acredita que a divergência acirrada entre os dois grupos atrapalha o crescimento do município. “Essa disputa é muito grande e os projetos acabam não sendo desenvolvidos na cidade”, diz.

As opiniões sobre a cassação do prefeito estavam bem equilibradas entre os moradores consultados pela reportagem, ontem. Alguns foram favoráveis a medida, outros, apesar das acusações contra Durvalino, defenderam que ele era um bom prefeito para a cidade.

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