A região sul de Bauru, principal alvo das atenções dos loteadores, está com sérias restrições ao seu desenvolvimento. É que o abastecimento de água feito pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) é insuficiente para atender à demanda em potencial naquele setor da cidade.
O diretor da Divisão de Produção, Reservação e Distribuição de Água do DAE, Isaar de Almeida, explica que os poços não têm boa vazão no sul, o que representa um fator limitante ao abastecimento.
A notícia é preocupante para os empreendedores de Bauru. Muitos deles pretendem lotear áreas ainda desocupadas nessa região e sofrerão restrições para construir no local. A idéia não os agrada. De acordo com a coordenadora da comissão elaboradora do novo Plano Diretor, Maria Helena, Rigitano, novas leis deverão restringir a ocupação.
Além disso, a produção da Estação de Tratamento de Água (ETA) não pode ser ampliada para atender esse setor porque ela já está trabalhando no limite da capacidade do rio Batalha.
Bauru é abastecida por dois tipos de mananciais: de águas superficiais e subterrâneas. O rio Batalha responde por 42% do consumo, enquanto os 27 poços abocanham 58%.
A água superficial em seu estado natural não é potável. Quando retirada do rio, ela é bombeada para a ETA, onde passa por tratamento e torna-se potável. Então, ela é enviada aos reservatórios para distribuição. São captados 500 litros de água por segundo.
Já a água dos poços é potável e, portanto, não precisa de tratamento. Eles produzem 700 litros do produto por segundo, totalizando no município 1.200 litros por segundo.
O DAE tem planos de colocar em operação mais oito poços. Os projetos estão prontos. Um dos poços foi perfurado recentemente. A expectativa é de que em dois meses ele esteja funcionando. Outro foi perfurado pelo Estado há alguns anos e teve problemas na construção. A autarquia vai tentar recuperá-lo.
No total, a produção teria aumento de 429 litros de água por segundo - o que representa aumento de 36% do que é produzido em águas subterrâneas. “Em curto prazo, queremos aumentar só com águas subterrâneas”, diz Almeida.
Nenhum desses poços está localizado no setor carente de abastecimento já que lá a vazão é insuficiente.
Entretanto, dois deles estão em área abastecida pelo rio Batalha - um próximo ao Jardim Tangarás e outro próximo ao Ribeirão Bauru. O diretor de departamento do DAE garante que a sobra que haverá no Batalha pode ser remanejada para atender à região sul, futuramente.
“Nesse setor, a ocupação deve ser criteriosa. Não deve-se possibilitar densidade populacional alta. A ocupação deve ser reduzida ao máximo já que lá também há um sério problema de drenagem urbana”, frisa Almeida.
Água Parada
A intenção é colocar os poços em funcionamento em curto prazo. Em médio prazo, o DAE pretende explorar outro manancial superficial - o córrego da Água Parada, que fica próximo ao novo aeroporto e ao Distrito de Tibiriçá.
Isso ainda está sendo estudado. O que se sabe até agora é que a capacidade de produção seria três vezes maior que a do rio Batalha. “Embora seja próximo ao aeroporto, nada impede que a água seja mandada para outros setores da cidade. Como o terreno lá é alto, você manda água para a cidade sem necessidade de bombeamento. O desnível do terreno facilita”, diz Isaar Almeida.
Ele garante que, futuramente, a nova ETA poderá injetar água no Centro, que hoje é atendido pelo Batalha. Assim, a água do desse manancial poderá ser remanejada para setores deficientes da cidade. “Seria a longo prazo porque isso demanda recursos. Tecnicamente, dá para fazer. Com o aumento previsto para curto e médio prazos, o problema de abastecimento atual será resolvido. Não vai mais faltar água”, destaca o diretor.