Se depender do abastecimento de água atual e do tratamento de esgoto, Bauru não ultrapassa os 500 mil habitantes.
É que, mesmo com todas as obras previstas pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) para melhorar a captação e distribuição de água nos próximos anos, o abastecimento será suficiente para uma população de, no máximo, 500 mil pessoas.
O DAE afirma que a tendência é de que a população se estabilize em 500 mil pessoas. Por isso, não há planos para longo prazo.
“A tendência é reduzir o crescimento e depois se estabilizar. A família média brasileira eram cinco pessoas para efeito de projeto. Hoje, considera-se em Bauru uma família de 3,3 pessoas”, argumenta Isaar de Almeida, diretor da Divisão de Produção, Reservação e Distribuição de Água do DAE.
Hoje, a autarquia atende com dificuldade as diversas regiões de Bauru. Há sérias restrições, por exemplo, ao crescimento da área sul da cidade. Hoje, se houvesse um boom de construções nesse setor, faltaria água.
Com todas as obras que o DAE vem planejando, calcula-se que futuramente será possível remanejar água para a região sul.
Esse problema é mais um fator que reforça as diretrizes apontadas pela comissão elaboradora do novo Plano Diretor. Elas indicam que o crescimento da cidade deve ser direcionado para a região norte da cidade.
É lá que deverão ser criados pólos de comércio e serviços, além de grandes avenidas, como a Nações Unidas Norte, conforme o JC nos Bairros já publicou.
É uma área hoje desvalorizada se comparada á região sul de Bauru, mas que promete principalmente devido ao aeroporto e à duplicação da rodovia Bauru-Marília, ambos previstos para um futuro próximo.
Água
Para resolver o problema de abastecimento de água, o DAE não descarta a possibilidade de buscar o produto no rio Tietê. Se isso acontecer, será a longo prazo, adianta Isaar. Inicialmente, captar água do córrego Água Parada é a opção mais viável.
O rio Batalha, que abastece 42% da população de Bauru atualmente, está 2,5 quilômetros distante da Estação de Tratamento de Água (ETA). O Água Parada está 15 quilômetros distante. Para buscar água do rio Tietê seria necessário transportá-la por 22 quilômetros. O custo, conseqüentemente, seria mais alto. “Seria cara a energia para bombear, além das adutoras”, diz Almeida.
Além disso, a qualidade da água do córrego Água Parada é melhor que a do Tietê. O tratamento dela seria oneroso. “São Paulo deve tratar esgoto daqui a alguns anos. Portanto, daqui a alguns anos a água do Tietê será melhor. Por isso, no futuro, pode dar para captar água do Tietê”, avalia o diretor de divisão do DAE.