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Feiras noturnas ganham público cativo

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Frutas, verduras e legumes fresquinhos, pastel saboroso e encontro com os amigos do bairro depois de mais um dia de trabalho. As feiras noturnas de Bauru, realizadas todas as semanas no Núcleo Mary Dota e no Sambódromo, no Núcleo Presidente Geisel, firmam seu público cativo e tornam-se cada vez mais um ponto de encontro para as famílias da cidade.

No Mary Dota, a feira é organizada todas as quartas-feiras, do final da tarde até as 20h. São cerca de 18 bancas no pátio da Regional Administrativa, que atraem não só moradores locais como também de bairros adjacentes, como o Núcleo Beija-Flor e o Jardim Chapadão.

A funcionária pública Renata da Silva confirma a preferência dos consumidores pela feira. “Tudo o que a gente compra aqui é muito mais fresquinho e os preços sempre são bons. A gente escolhe com calma e sempre leva produtos de boa qualidade para casa”, afirma.

Para a faxineira Marilene Jorge Tunes, a facilidade do horário da feira noturna é o principal atrativo. “Esse é um horário mais livre que a gente tem. Já deu para terminar o serviço de casa ou do trabalho, então eu faço a feira com calma, encontro as pessoas do bairro, converso um pouco. E a gente sempre volta porque os produtos são bons, tudo foi colhido hoje mesmo”, comenta.

Falou em feira, pensou em pastel. É o que diz a dona de casa Fátima Alves, que além de aproveitar os produtos com preço mais baixo, não deixa de passar na barraca mais procurada da feira. “À noite, o tempo é mais gostoso e a gente tem tempo de comprar com calma. E todo dia, é claro, a gente ainda come um pastel, que sempre é mais gostoso na feira”, elogia.

Nas ondas do rádio

Além da tradição, a feira do Mary Dota ainda conta com mais uma ajuda para atrair os compradores. Todas as quartas-feiras, por volta de 18h15, o funcionário público Hildo Daniel dos Santos entra no ar ao vivo no Plantão das Seis da rádio Auri Verde, diretamente da feira. “Eu faço a divulgação de alguns produtos e dos preços, e a gente nota resultado. O pessoal sempre aparece procurando o que foi anunciado, e os moradores aqui do bairro já me conhecem como colaborador da feira”, orgulha-se Santos.

Já na feira do Sambódromo, realizada todas as sextas-feiras do final da tarde às 20h, o destaque é o sorteio de brindes e produtos para os consumidores. Os compradores recebem cupons nas cerca de 30 barracas, e no final da feira, um carrinho cheio é sorteado para o público. Quando o sortudo ainda está no Sambódromo, a festa é ainda maior.

Dúzia de 13

Na opinião do presidente da Associação de Feirantes de Bauru, Moisés Bastos, o público das feiras é fiel justamente porque conhece os produtores hortifrutigranjeiros e a qualidade da mercadoria oferecida. Ele aponta que os freqüentadores das feiras noturnas são principalmente as famílias, que já estão reunidas em casa, depois das atividades do dia, e fazem da feira um ponto de encontro.

“Muita gente vem aqui para conversar, esfriar a cabeça e sempre acaba levando alguma coisa. Os feirantes têm menor quantidade, mas o giro é maior, tudo é sempre novinho. As pessoas ainda podem negociar e todo mundo sabe que a dúzia da feira é sempre de 13, sempre tem um chorinho para os compradores”, brinca.

O feirante Arnaldo Takeda, que trabalha unicamente com verduras, garante que o trabalho em seu sítio é recompensado pelos compradores. “O pessoal sabe que tudo é novo, as verduras são colhidas à tarde, pouco antes de eu vir para a feira.”

No entanto, alguns problemas incomodam os freqüentadores das feiras. As aposentadas Ezaltina Lúcia da Silva e Thereza Vicente Belay queixam-se da dificuldade para descer os degraus do Sambódromo, mas nem por isso deixam de aparecer por lá todas as sextas-feiras.

“Eu não perco uma feira. Venho sempre, gosto mais desse horário mas não fico até tarde porque é perigoso a gente voltar para casa depois de escurecer. O único inconveniente é ter de dar a volta pela entrada do Sambódromo, porque a gente não agüenta descer os degraus”, lamenta Ezaltina.

Segundo Bastos, a associação dos feirantes vem tentando resolver os problemas de iluminação e o acesso para os idosos. “Temos de achar o melhor caminho para manter a feira. Este horário noturno teve uma aceitação muito grande da população e agora buscamos a estabilidade. Não temos idéia de quantas pessoas passam pela feira nos dois dias, mas o movimento é bom e os produtores estão satisfeitos com as vendas”, conclui.

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