Um levantamento da Delegacia Seccional de Bauru aponta um crescimento de 17% no número de furtos e roubos de veículos registrados nos quatro primeiros meses de 2004 em relação ao menos período do ano passado. Foram verificadas 157 ocorrências dessa natureza na cidade, contra 134 entre janeiro e abril de 2003.
Para o delegado seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, o aumento está diretamente relacionando a uma mudança no perfil dos roubos e furtos de veículos. “As pessoas estão cometendo esse tipo de crime, muitas vezes, para poderem chegar até em casa ou simplesmente para levar uma ou outra peça. São mais furtos em veículos do que propriamente furtos de veículos”, analisa.
A opinião é compartilhada pelo comandante da 1ª Companhia da Polícia Militar (PM) de Bauru, capitão Benedito Roberto Meira. “O que temos notado, nos últimos tempos, é o crescimento dos furtos que visam objetos específicos, como aparelhos de CDs e pneus”, relata.
Meira constata, ainda, outra alteração na prática de furtos e roubos de veículos. “Tem gente da região vindo para Bauru praticar esse tipo de crime e pessoas daqui indo para outras cidades. Isso ocorre para dificultar o trabalho preventivo da polícia”, comenta.
Ele cita como exemplo o furto de um carro Peugeot, ocorrido durante o último final de semana. O veículo foi encontrado depenado e queimado em Pederneiras.
Meira acredita que os furtos e roubos de veículos poderiam ser coibidos caso houvesse colaboração de parte dos motoristas. “Tem gente que, às vezes, gasta R$ 1 mil com o aparelho de som, mas não gasta R$ 150,00 para instalar um alarme”, critica.
Para Ciocca, também é preciso ampliar a fiscalização. “Sempre que há uma queda nos indicadores, ela é provocada pela prisão de quadrilhas de receptadores e pelo fechamento de desmanches clandestinos”, argumenta.
Recuperação
O delegado seccional destaca, ainda, que houve um aumento de 59,4% no número de recuperações de veículos furtados e roubados nos quatro primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2003. “A maioria deles foi encontrada nas primeiras 24 horas após o crime”, declara.
Para Ciocca, esse é um indicativo importante de que os assaltantes estão realmente interessados apenas em peças específicas dos veículos.
Segundo Meira, o veículo mais difícil de ser recuperado é a motocicleta. “Infelizmente, quem alimenta esse tipo de furto são os mototaxistas. Não podemos generalizar, mas percebemos que mais motocicletas passaram a ser furtadas quando essa atividade teve um incremento na cidade. Tanto que as motos mais furtadas são as CG 125, as mais utilizada por eles e que precisam de manutenção e reposição de peças”, diz.
O capitão da PM explica que muitos mototaxistas foram detidos com peças furtadas em seus veículos. “O problema é que, sabendo que a polícia relaciona o motor ao chassi, os assaltantes não tiram mais a carcaça, e sim o miolo do motor. A cada dia que passa, eles vão se aperfeiçoando”, declara.
Os furtos e roubos de veículos não são os únicos indicadores de criminalidade que apresentam crescimento em Bauru este ano. Até agora, 23 pessoas foram vítimas de homicídio na cidade em 2004, número que representa 54,8% do total de 42 ocorrências registradas ao longo de todo o ano passado.
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Susto
A assistente administrativa Kátia Aparecida Franzê estacionou o seu Fusca na quadra 3 da rua Bela Vista, por volta das 19h30 de sábado, para visitar a mãe. Algumas horas depois, ao sair da residência, percebeu que o veículo havia sido furtado. “Fiquei apavorada e assustadíssima”, relata.
Segundo ela, o carro foi encontrado anteontem pela manhã, no Parque Jaraguá, já parcialmente desmontado. Peças como o motor e as rodas foram localizadas em três residências do bairro e cinco pessoas foram presas.
O comandante da 3.ª Companhia da Polícia Militar (PM), capitão Flávio Jun Kitazume, explica que os policiais que patrulhavam a região desconfiaram que o Fusca tinha sido furtado recentemente porque no solo havia sinais que indicavam que o veículo tinha sido arrastado. “Eles olharam por cima do muro de uma das residências e avistaram as rodas. Depois, chegaram até as outras peças”, diz.
Franzê conta que precisou deixar o carro na oficina para que ele possa ser recuperado. “Ainda não sei qual será o meu prejuízo. O pior é que o Fusca é da minha mãe e ela tinha emprestado para mim”, revela.