Agudos - Os caminhoneiros que passarem hoje pela Base Operacional da Polícia Rodoviária em Agudos (18 quilômetros a Sudeste de Bauru), no quilômetro 316 da rodovia Marechal Rondon, vão ser orientados a parar. A medida não visa nenhuma punição coletiva, mas tem como objetivo convidar os motoristas a participarem de um manifesto contra o abuso e a exploração sexual infanto-juvenil.
A expectativa do Serviço Social do Transporte (Sest) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) - responsáveis pela campanha em Agudos - é coletar cerca de 500 assinaturas.
Elas farão parte de um abaixo-assinado que será entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no próximo dia 18 (Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes), em Brasília.
O manifesto irá cobrar uma ação mais enérgica do governo contra os crimes sexuais, especialmente quando envolvem crianças e adolescentes.
“Banir esse mal é fundamental para proteger as gerações futuras e garantir a cidadania no País”, diz o documento, que será entregue ao presidente.
Com a iniciativa, o setor de transporte une-se ao Movimento Nacional de Luta em Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente contra a exploração sexual infantil.
A campanha em Agudos contará com a colaboração de policiais rodoviários que estarão solicitando aos caminhoneiros que parem os veículos. A blitz começará por volta das 7h e seguirá até as 17h, segundo informou a gerente do Sest/Senat, Vitória Freitas.
Ela disse também que a campanha não está restrita apenas à base de Agudos. Outras blitz serão realizadas pelo País. Segundo Vitória, quanto mais representativo for o manifesto, melhor.
De acordo com documento confeccionado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), existe um “tráfico interno” de mulheres, crianças e adolescentes para fins sexuais.
Os principais destinos dessas pessoas são as capitais, cidades onde há entroncamento rodoviário, portos, eventos culturais e turísticos, além das fronteiras nacionais.
A maioria das vítimas é branca, sendo que 40% das meninas e 30% dos meninos sofreram algum tipo de abuso sexual em casa.
Os principais “clientes”, segundo o manifesto da CNT, são homens casados e com filhos. Os Estados que apresentam maior incidência desse tipo de crime são Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia.
Segundo dados do Centro Brasileiro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, no Rio, cerca de 1.000 meninas de rua, entre 8 e 15 anos, prostituem-se.
Na Paraíba, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre prostituição infantil e juvenil constatou o envolvimento de crianças de 5 a 7 anos.
Em Pernambuco, uma em cada três prostitutas de Recife tem menos de 18 anos. No Rio Grande do Norte, 61% das meninas de rua, entre 12 e 14 anos, não usam preservativos em suas relações sexuais.
Em Salvador, na Bahia, pesquisa com 74 prostitutas, entre 12 e 17 anos, revelou que a maior parte teve sua primeira relação sexual aos 10 anos. Cerca de 80% são pobres, negras e analfabetas.
Durante sua primeira reunião ministerial, o presidente Lula anunciou que a erradicação da exploração sexual comercial infantil seria uma das prioridades de seu governo.