Bairros

Periferia recebe plano com críticas

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Lançado em 2000 como uma fórmula rápida de levar o asfalto às ruas da periferia, o programa de asfalto comunitário volta no final do último ano do mandato do prefeito Nilson Costa (PTB) como a principal reivindicação dos moradores. A população precisa da benfeitoria, mas critica o plano adotado pelo governo.

Depois de ficar na gaveta do Executivo por mais de um ano, o programa retorna com a divisão da cidade em cinco setores. O plano comunitário, porém, só sairá do papel para as ruas se pelo menos 75% dos moradores de uma mesma quadra aderirem. A prefeitura arca com os 25% restantes, conforme lei municipal aprovada no início deste governo.

A benfeitoria mais cobrada pelos moradores gera, ao mesmo tempo, expectativa e descontentamento. Parte das obras executadas em alguns bairros durante a primeira fase do programa não apresentou boa qualidade. De outro lado, moradores criticam que a administração investiu mais de R$ 7 milhões para pavimentar gratuitamente ruas no ano passado, privilegiando corredores da zona sul.

Enquanto os moradores de áreas nobres e centrais, como os das principais avenidas, não pagaram pelo asfalto novo ou o recape, a periferia é chamada a arcar com no mínimo 75% do custo para eliminar a lama e a poeira em frente às suas casas.

Além disso, dezenas de outros bairros continuam sem receber o asfalto, mesmo com a população mostrando disposição em pagar. “Eu pago o IPTU em dia do mesmo jeito que o morador da parte mais rica da cidade, mas vou ter pagar se quiser ter o asfalto”, protesta José Roberto de Oliveira.

Ele diz que já realizou abaixo-assinado junto aos moradores, na região do Núcleo Fortunato Rocha Lima, mas ainda não teve êxito na solicitação. “Vieram aqui e asfaltaram só uma quadra da rua, porque um morador tinha influência com um político. Continuamos com lama e poeira nas casas e estamos há seis anos cobrando”, protesta.

"Mal necessário"

O sentimento entre os moradores que aguardam o asfalto há anos reúne um misto de necessidade e crítica. Para as pessoas ouvidas pelo JC, a prefeitura privilegiou a pavimentação e recape de ruas da área central e da zona sul, sem qualquer custo, enquanto a periferia é convidada a pagar.

Mesmo quem já recebeu a benfeitoria considera que o governo não está distribuindo corretamente os investimentos no setor. “Eu paguei 12 parcelas de R$ 65,00 e o problema foi resolvido em parte, porque só asfaltaram a minha quadra. A lama e a sujeira continua vindo das outras quadras e eu não vi a prefeitura cobrando pelo asfalto no Centro”, critica Silvana Venâncio da Rocha Escudeiro, do Jardim Eldorado.

Ela acrescenta que foi obrigada a custear o serviço para os dois lados da quadra. “Tive que pagar pela minha metade e pela metade do outro lado da rua, onde há um terreno. A prefeitura não conseguiu cobrar de quem tem o terreno, mas ele foi beneficiado e só eu paguei”, cita.

Uma de suas vizinhas, Andréia Aparecida Rodrigues da Cunha, também pagou pela benfeitoria, apesar dos impostos já cobrados pela prefeitura. “Pago o IPTU em dia, a rua constava como asfaltada na prefeitura e era de terra. Acho que o meu imposto tinha que ter valor igual ao dos outros”, protesta.

Próximo dali, na rua Tatuí, José Roberto de Oliveira não teve a mesma sorte. “Fiz até abaixo-assinado, mas não consegui que a nossa quadra fosse asfaltada. Se o plano voltar eu corro pessoalmente os moradores para ajudar no cadastramento. Com lama é muito pior que pagar”, comenta.

Na Vila Industrial IV, a rua Jurumirim também está em condições de receber a pavimentação. “Tem guia, sarjeta, rede de água e esgoto e o terreno está até compactado já da outra vez. Mas o asfalto não veio. Atrapalha muito o comércio, precisamos do asfalto, mesmo pago”, reivindica Jaime Saraiva, que tem um comércio na esquina da rua.

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