Quem entra na residência do piloto bauruense de motocross Marcel Sona Cardoso e vai até a um dos cômodos logo percebe que o rapaz é uma “fera” do esporte. Só para se ter uma idéia de suas conquistas, obtidas ao longo de quase 20 anos dedicados à atividade, ele acumula quase 500 troféus, todos devidamente guardados em uma “salinha” especial da casa.
Realmente, as glórias de Marcel não são poucas, muito menos desconhecidas. Prova disso foram os vários títulos, como o tricampeonato consecutivo (1993, 1994 e 1995) do Circuito Paulista e os vice-campeonatos brasileiro e paulista de 1990, ano em que profissionalizou-se na modalidade, e de 1999 no Campeonato Brasileiro de Arena Cross.
Além disso, Marcel também já terminou por duas vezes - em 2001 e 2003 - em terceiro lugar na classificação geral do mesmo Arena Cross. E, correndo atualmente no Campeonato Paulista de Motocross, o bauruense é o líder absoluto da categoria over 30 (pilotos com 30 anos ou mais).
Entretanto, quem vê Marcel correndo nas pistas, em proezas que já lhe renderam cerca de 180 vitórias, não tem idéia que sua paixão pelas motocicletas iniciou-se quando ainda era “molecote”. Boa parte dela foi herdada do pai, Elias Gonçalves Cardoso, que sempre “respirou” motociclismo, seja como piloto de lambreta na mocidade ou dono de concessionária já há 30 anos.
“Meu pai sempre foi uma inspiração”, revela Marcel. E foi justamente com a ajuda dele que o hoje piloto de motocross começou a dar as primeiras montadas. O “batismo” ocorreu com uma “motinho” de 50 cilindradas construída por seu pai especialmente para abrigar o pequeno Marcel, na época com 7 anos.
“Como naquele tempo o mercado nem disponibilizava motos daquele tamanho, meu pai aproveitou sua experiência para fabricar uma tendo como base um motociclo”, conta o piloto, que não se esquece das primeiras voltas. “Andava com ela em chácaras e sítios”, recorda Marcel.
Depois, um pouco mais “crescidinho”, o gosto pelo motociclismo ficou ainda mais impregnado em seu sangue. Outro fato decisivo para isso ocorrer lembrado por Marcel foi a concessionária administrada pelo pai patrocinar, em 1985, Evandro Giacon, o Pipo, outro piloto de motocross. “Eu assistia aos treinamentos dele e me encantava. Ele começou a me incentivar e deu no que deu hoje”, destaca.
Talento dividido
Apesar de seu talento comprovado para pilotar, Marcel nunca fez do motociclismo um meio de vida. Prova disso é que conciliou a adrenalina das pistas com os negócios da concessionária do pai, onde sempre deu uma “forcinha”. “Acho que meu ingresso no esporte era algo até inevitável, pois o motociclismo sempre esteve presente na família”, considera.
Além disso, nem sempre foi possível a Marcel correr todos os anos. Como se não bastassem as dificuldades impostas pela prática do motocross, um esporte caro que torna necessário o patrocínio (hoje ele é patrocinado pela Super Moto Honda e Octane Motors), as contusões atrapalharam várias temporadas do piloto. Ao longo da carreira, ele calcula já ter tido 22 fraturas espalhadas pelo corpo.
A mais recente incomoda Marcel há cerca de sete meses, quando ele rompeu os ligamentos do joelho em uma batida na largada de uma prova. “Optei por não fazer a cirurgia e tentar me recuperar naturalmente, pois há possibilidades disso. Mas as dores são intensas”, afirma.
Mesmo “baleado”, Marcel conquistou duas vitórias nas duas etapas já realizadas do Campeonato Paulista deste ano, desempenho que o credencia como um dos principais favoritos ao título. Entretanto, os problemas de saúde também já o fizeram perder títulos.
Uma das lembranças mais “doídas” ocorreu em 1999, quando Marcel disputava “moto” a “moto” com Eduardo Sasaki, o conhecido “Japonês Voador”, o primeiro lugar e o título geral. “Um piloto errou um salto e caiu em cima de mim, forçando-me a abandonar a prova e as chances de ser campeão”, relembra.
Fora das pistas, Marcel também dedica-se a aprimorar seus conhecimentos como motociclista “normal”. Para isso, já freqüentou vários cursos de direção defensiva, credenciando-se como instrutor oficial da Honda e fazendo tudo a seu alcance para propagar o que aprendeu. Ele resume: “Os motociclistas precisam conscientizar-se que desrespeitar as regras de trânsito é perigoso não apenas para eles, mas para os outros também”, conclui.
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Perfil
Nome: Marcel Sona Cardoso
Idade: 31 anos
Profissão: Comerciante
Hobby: Motociclismo
Cor preferida: Azul
Time do coração: “Ninguém me convenceu a torcer por algum time, mas tenho admiração pelo Noroeste.”
Para quem você nunca daria carona na sua moto? “O Clodovil. Não gosto dele.”
E para quem você faria questão de dar carona? “Meu pai.”
O que mais lhe irrita no trânsito bauruense? “A forma como os ônibus circulam pela avenida Rodrigues Alves.”
Que nota você daria aos motoristas bauruenses? “Cinco. Ainda falta muito respeito e educação para se chegar ao dez.”