Bairros

Fachadas ajudam mercado imobiliário

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

O peso que o bauruense atribui à fachada na hora de alugar ou comprar uma casa é grande. É o que afirmam profissionais que atuam no ramo imobiliário em Bauru.

“Às vezes, devido à fachada simples, a pessoa não quer ver o conforto que a casa tem por dentro. Dependendo da fachada, a pessoa não entra. Eu costumo dizer que ela vai morar na fachada”, expõe José Martinho Teixeira da Silva, presidente da Associação das Administradoras e Corretoras de Imóveis de Bauru (Aciba).

Ele afirma que casas bem planejadas e de projetos criativos são mais rapidamente liquidadas no mercado. Ou seja, não ficam muito tempo paradas.

Vicente Leme, proprietário de imobiliária, concorda com Martinho. “Hoje, estão dando mais importância à aparência e à idade do imóvel. Os clientes preferem os mais novos. Os antigos têm restrições”, diz.

Além de novas, muita gente procura casas chamativas. “Casas novas e que chamam mais atenção. É a idéia do novo, que é sempre atrativo. É como a diferença entre comprar um carro zero quilômetro e um carro usado”, compara.

Mas, na opinião de Vicente, o cliente de Bauru, em geral, não faz exigências arquitetônicas. Apenas busca um imóvel agradável. “A casa antiga sempre tem restrição pelo acabamento interno, como pisos fora de linha. Embora elas tenham cômodos maiores e as modernas tenham menos área construída”, explica.

Martinho também afirma que nem os cômodos espaçosos das casas antigas são suficientes para atrair inquilinos ou novos proprietários. “As pessoas não preferem casas antigas porque os cômodos são maiores. Os azulejos e os demais elementos de acabamento são antigos. Hoje, todos querem casas novas com revestimentos bonitos. Quartos pequenos não impedem vendas. Hoje, existe um pensamento de que quarto é feito par dormir”, frisa.

Vicente complementa, dizendo que imóveis antigos nem sempre têm o planejamento mais adequado. “Casas antigas têm cômodos grandes, mal distribuídos. As modernas têm ambientes mais bem definidos e tamanhos mais adequados”, expõe.

Garagem

O mercado imobiliário muda de acordo, não apenas com os gostos, mas também com as necessidades das pessoas. Martinho explica que atualmente é inadmissível construir uma casa com uma vaga para carro. As antigas, com essa característica, ficam “encalhadas” nas imobiliárias.

“É um problema para vender. Principalmente se não tem espaço para ampliar a garagem. Outra dificuldade é a garagem que comporta três carros, mas um atrás do outro. Complica para tirar os carros. Hoje, as pessoas querem comodidade. Apertar o botão e entrar ou sair”, diz Martinho.

Na opinião de Vicente, para vender com facilidade o imóvel tem de dispor de, no mínimo, duas vagas na garagem. “Com uma garagem já tem restrição para venda. Duas garagens é fundamental”, avalia.

Wânia Porto, outra proprietária de imobiliária, vai além. “Hoje, as pessoas precisam de, no mínimo, duas vagas. Isso quando não precisam de quatro”, destaca.

Outra exigência mínima são três quartos, sendo uma suíte. É o pedido padrão. “Além dos três quartos, às vezes ainda tem um escritório nas residências novas”, enfatiza Wania.

Para acompanhar as tendências atuais, a ordem é fazer adaptações nas casas “fora de moda”. “As pessoas adaptam às suas necessidades. Abrem uma área para estacionar mais um carro, constróem uma suíte”, explica a proprietária.

Lazer

Ainda de acordo com profissionais do ramo imobiliário em Bauru, atualmente as áreas de lazer têm sido muito valorizadas dentro das residências. E isso não é privilégio apenas de quem tem alto poder aquisitivo. Quem não pode construir uma piscina, faz uma churrasqueira ou ao menos um jardim para brincar com os filhos.

A violência e o conseqüente medo de se divertir fora dos portões de casa talvez sejam fatores que “empurram” as pessoas cada vez mais para dentro de suas residências.

“As pessoas estão mais exigentes em relação às áreas de lazer. Principalmente nas casas que estão sendo construídas agora”, diz Wania Porto, proprietária de uma imobiliária de Bauru.

“Não necessariamente fazem uma piscina. Mas, pelo menos, uma churrasqueira para passar o tempo com a família e os amigos”, acrescenta.

José Martinho Teixeira da Silva, presidente da Associação das Administradoras e Corretoras de Imóveis de Bauru (Aciba), concorda. “O pessoal tem até feito as áreas de lazer em frente à casa. Assim, evitam ter que passar por dentro de casa e sair a todo momento”, argumenta.

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