Bairros

Bauru tem amostras de vários estilos

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Hoje, as construções contemporâneas que criam linguagens diferentes a partir da mistura de materiais chamam a atenção, mas Bauru tem exemplares de diversos estilos arquitetônicos.

De acordo com o arquiteto Nilson Ghirardello, professor de história da arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp), há exemplares de arquitetura vernacular, “art déco”, eclética, moderna e pós-moderna, entre outros estilos.

Ele explica que Bauru começa a se formar no final do século 19, com a chegada dos mineiros, antes das ferrovias. Eles trazem de Minas Gerais uma forma popular de edificar, conhecida como arquitetura vernacular.

Geralmente, eram casas com portas e janelas alinhadas com o limite da calçada, sem recuo, muros ou portões. Baseada na arquitetura erudita, esta forma de construir era modificada a partir da experiência da própria população.

Hoje, sobraram poucos exemplares. Alguns deles estão no início da rua Araújo Leite, nas proximidades com a linha férrea. “Em 1906, havia várias casinhas com esse estilo”, diz o professor.

A partir da chegada das ferrovias, a arquitetura torna-se mais elaborada em Bauru. De acordo com Nilson, as casas eram feitas por mestres-de-obras italianos, espanhóis ou portugueses.

O acabamento era mais sofisticado, com muitos ornamentos, e havia mistura de linguagens arquitetônicas do passado. Daí o estilo ser conhecido como eclético, típico do início do século 20. Um dos exemplos em Bauru é o Palacete Pagani, localizado no Calçadão da Batista de Carvalho.

“Com a vinda das ferrovias, o investimento privado no solo urbano passa a ser muito mais seguro. Afinal de contas, a cidade dava indícios de que se desenvolveria. A vinda da ferrovia era fundamental para o desenvolvimento. A partir disso, a arquitetura torna-se mais elaborada”, diz Nilson.

É nos anos 30 do século passado que começam a surgir em Bauru prédios art déco. As fachadas são simples, geométricas e limpas. Há jogos de volumes e de planos.

Esse estilo é melhor representado na cidade, no que refere-se à quantidade de exemplares. Um deles é o prédio “Abelha”, localizado na rua Primeiro de Agosto. Outro é a Casa Lusitana, localizada na esquina da rua Batista de Carvalho com a Gustavo Maciel.

“O art déco se expandiu bastante nos anos 30 em função do crescimento do comércio em Bauru. Na época, era uma linguagem que dava a idéia de progresso”, expõe Nilson.

Outro estilo bem representado em Bauru é o moderno, típico dos anos 50 e que se estendeu pelas décadas de 60 e 70. A característica principal é o uso de concreto à mostra, além de vidros e grandes espaços livres.

O moderno também massificou o uso dos pilotis, dos brises e da estrutura independente (as paredes não estão mais atreladas à estrutura do prédio).

Os revestimentos também mudam bastante. Entram em cena as lajes cerâmicas, no lugar dos forros de madeira, por exemplo.

Outro detalhe importante: a garagem passa a ser incorporada à casa. “Até então, o carro ficava numa espécie de edícula ao fundo. Mas, neste momento, as pessoas começam a ter carros”, destaca o arquiteto.

De acordo com o professor, é nos anos 80 que surgem em Bauru os primeiros exemplares da arquitetura pós-moderna. É nesse período que aparecem os prédios inteiros em vidro. Nilson afirma que o pós-moderno teve duração pequena e que o município não tem muitos exemplares desse estilo.

“Prevalece mais uma linguagem internacional. Antes, a preocupação era se adaptar ao clima e aos padrões locais”, comenta o arquiteto.

A tendência seguinte já traz a mistura de elementos, linguagens e materiais que observa-se hoje ao caminhar pelas ruas de Bauru. São aquelas obras chamativas e que não passam despercebidas por quem transita pelo local.

Para uns, o estilo ainda não é definido, para outros, trata-se do “além do pós-moderno”...

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