Formas, cores e texturas diferentes atraem a percepção humana ao se caminhar por Bauru. Olhos curiosos voltam-se para o novo, o diferente. É cada vez com mais freqüência que isso ocorre na área urbana da cidade. Basta passear pelos bairros para deparar-se com edificações atraentes pelos elementos que as diferenciam das demais. É uma nova tendência arquitetônica que começa a invadir a cidade.
A mistura inusitada de materiais também aguça os sentidos. Principalmente o visual. Concreto, metal e vidro, entre outros, são livremente explorados pela criatividade dos profissionais-autores das obras. Adicione a tudo isso formatos inesperados e mais um filho desse novo estilo estará concebido.
A novidade é de fácil identificação, mas difícil definição. “Eu costumo dizer que nesse ‘após o pós-moderno’ a gente tem uma não-definição de estilo. Tem mistura de componentes materiais. Tem várias tecnologias sendo usadas e misturadas ao mesmo tempo. Tem concreto, estrutura metálica, alvenaria, madeira.”
A opinião é do arquiteto Wagner Domingos, que é presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) em Bauru e vice-presidente de arquitetura da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag) de Bauru.
Ele prefere definir a tendência como algo posterior à pós-modernidade na arquitetura, ainda sem nome. Em São Paulo, teria surgido a partir da década de 80. Mas começa a mostrar as caras com mais representatividade nos últimos anos em Bauru.
Para o arquiteto e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Nilson Ghirardello, o que se vê nas ruas de Bauru hoje é uma busca da linguagem brasileira contemporânea. “A discussão é tentar que a arquitetura não busque apenas modelos internacionais”, diz.
Ele explica que novos materiais de construção, como metais, possibilitam linguagens diferentes, além de construções mais rápidas, leves e limpas. Por exemplo, o concreto armado bastante utilizado na arquitetura moderna, em meados da década de 50, começou a ser substituído por estrutura metálica.
“Outra característica é o retorno das cores fortes. Nos anos 80, boa parte das construções eram brancas. Usava-se poucas cores e texturas”, explica.