Marília - Desde o dia 25 de abril, os moradores de Marília (100 quilômetros a Oeste de Bauru) e da região estão tendo a oportunidade de ver de perto um osso de dinossauro. Trata-se do segundo Museu de Paleontologia do Interior do Estado. O outro fica em Monte Alto, na região de Ribeirão Preto.
O acervo é resultado de mais de dez anos de estudo e pesquisa do professor e paleontólogo William Nava, responsável pela 1ª Semana dos Dinossauros de Marília - evento que segue até o próximo domingo.
Todos os fósseis em exposição foram achados a partir de escavações feitas na própria região de Marília, onde há cerca de 70 milhões de anos viveram os Titanossauros, uma espécie que chegava até cinco metros de altura, 15 de comprimento e pesava cerca de 15 toneladas.
No museu estão partes desses animais gigantescos como a tíbia (osso da perna), costelas, osso da cintura pélvica e até das patas.
Além dos vestígios dos dinossauros, estão em exposição fragmentos de uma espécie de crocodilo que foi encontrada pela primeira vez em Marília. Por esse motivo, o animal recebeu o nome científico de Mariliasuchus. Em grego, ‘suchus’ significa crocodilo.
Ao contrário das espécies que existem hoje, o crocodilo que vivia na região de Marília há 70 milhões de anos não possuía boca comprida, mas um rosto curto, mais parecido com um lagarto.
As patas traseiras eram um pouco mais altas do que as dos crocodilos atuais, mas a cauda continua praticamente idêntica.
É possível ver também fósseis de peixes ainda mais antigos do que os dinossauros. Extraídos da Chapada do Araripe, um paraíso para paleontólogos, as espécies aquáticas são de aproximadamente 115 milhões de anos atrás. A chapada fica entre os Estados do Ceará, Pernambuco e Piauí.
O fóssil de um peixe foi, aliás, um dos únicos registros pré-históricos encontrados até hoje na região de Bauru. Segundo Nava, ele foi descoberto em Piratininga.
De acordo com as explicações do paleontólogo, os vestígios do período cretáceo são mais fáceis de serem encontrados na região de Marília por causa do estado de conservação das rochas.
“Nas regiões mais a Leste de Marília (que inclui Bauru), as erosões já levaram os vestígios”, explicou Nava. As erosões vão “dilapidando” as rochas até chegar ao ponto em que elas expõe os fósseis.
Segundo Nava, as escavações ainda são raras no Brasil. Na avaliação dele, falta apoio para pesquisas. Por esse motivo o País ainda tem muito pouco o que mostrar sobre as espécies pré-históricas que habitaram esta parte do continente.
Além dos museus de Marília e Monte Alto, ele conta que existem apenas mais “uns sete ou oito” no País.
A paleontologia no Brasil, segundo ele, só ganhou um impulso após o lançamento do filme “O Parque dos Dinossauros”, de Steven Spielberg. Mesmo assim, as principais fontes de pesquisa ainda estão restritas a apenas duas universidades: a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além do Museu Nacional do Rio de Janeiro.
Ferrovia deu início às escavações
Os primeiros fósseis de dinossauros começaram a ser descobertos nas regiões Norte e Oeste do Estado de São Paulo com o avanço da ferrovia em direção a Presidente Prudente, Araçatuba e São José do Rio Preto.
Segundo o paleontólogo William Nava, conforme as estradas férreas iam sendo abertas, fósseis eram encontrados nas rochas. O mesmo teria ocorrido durante o avanço da rodovia.
Sem isso, as escavações feitas exclusivamente para encontrar vestígios são muito raras. Em Marília, os primeiros fósseis foram encontrados há apenas 11 anos.
Segundo Nava, não é tão difícil saber qual a procedência do osso encontrado. De acordo com ele, os ossos de dinossauros são achatados e apresentam uma coloração castanha esbranquiçada.
Já os ossos de um mamífero, por exemplo, são bem mais escuros, quase pretos, e não ficam armazenados nas rochas.
A exposição em Marília estará aberta ao público até o próximo dia 16. Depois disso, o acervo será levado para uma outra sala, que está sendo reformada para receber o museu.
Serviço
A exposição pode ser vista das 13h às 17h, no Museu de Paleontologia de Marília, anexo à Biblioteca Municipal, na avenida Rio Branco. A entrada é franca. Informações pelos telefones (14) 432-4710 ou 424-6213.