Uma semana após as mudanças no atendimento do Pronto-Socorro (PS) da Vila Ipiranga, os usuários já demonstram insatisfação com o serviço. As reclamações para o Conselho Gestor da unidade têm sido constantes, motivadas principalmente pela falta de médicos e pela transferência do atendimento pediátrico de urgências e emergências para o Pronto-Atendimento Infantil (PAI).
Oficialmente, desde o último dia 3, o PS Ipiranga deixou de atender as emergências infantis no horário noturno, em razão da falta de pediatras no quadro da prefeitura. São cerca de 40 profissionais da área, mas a Secretaria Municipal de Saúde estima que necessitaria de pelo menos mais 15 médicos. As unidades do Jardim Bela Vista e do núcleo Mary Dota permanecem com atendimento infantil das 23h às 7h.
Por conta das mudanças, uma ambulância foi disponibilizada para transportar os pacientes até o PAI. Um funcionário do PS, que pediu para não ser identificado, comenta que não foram registradas queixas dos usuários durante a primeira semana com o novo esquema.
No entanto, a vice-presidente do Conselho Gestor, Miriam Vecchi Rodrigues, aponta que diversos pacientes têm reclamado da falta de médicos na unidade, mesmo nos horários em que eles deveriam estar trabalhando, segundo a secretaria. “É uma situação difícil, porque a pessoa chega para ser atendida e não tem médico. Tem dias em que é assim. Garantido, só temos um clínico geral durante a noite e nos finais de semana”, diz.
Nos casos infantis, os médicos plantonistas realizam apenas a avaliação e atendimento ambulatorial. De acordo com Rodrigues, a situação é complicada para os pais, que precisam aguardar a ambulância para acompanhar seus filhos até o PAI. “Além disso, eles só atendem 16 consultas agendadas. As outras pessoas têm de passar pelo médico para ter o encaminhamento, mas não é sempre que tem médicos”, observa.
Longa espera
A organizadora de excursões Rosemeire Aparecida Cesário Gerônimo confirma que os usuários têm enfrentado dificuldades, principalmente no atendimento infantil. “Na semana passada, minha filha ficou doente. Colocaram a gente numa perua - não foi nem em ambulância - e levaram para o PAI. Além da gente não ter mais atendimento no nosso bairro, no PAI tudo demora. Eu fiquei esperando mais de quatro horas para falar com o médico. É muita humilhação”, desabafa.
O vigilante Rogério Martins da Silva procurou a unidade ontem à tarde com sua filha, para tentar marcar uma consulta, mas tudo que conseguiu foi checar sua pressão arterial. “Não tinha pediatra, assim como em outros dias que a gente veio aqui. Mas o problema é geral. Para ser atendido, você tem que chegar às 6h. É uma coisa descabida”, ressalta.
O secretário de Saúde, Hanna Georges Saab, responde que o atendimento no PS Ipiranga tem sido realizado normalmente, com médicos nos horários programados. “As reclamações sempre chegam até a secretaria através da imprensa. Se este tipo de reclamação chegasse até a secretaria, se as pessoas nos procuram, nós tomamos as providências”, diz.
Saab comenta que foi realizado, no último final de semana, um concurso para contratação de médicos para a prefeitura. Apenas sete profissionais se inscreveram para as 11 vagas disponíveis, e destes, somente quatro fizeram a prova - e foram aprovados. “Acredito que dentro de 15 ou 20 dias, que é o tempo dos trâmites da prefeitura, eles devem estar atuando nas unidades”, indica o secretário.
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Histórico
Nos sete meses em que o prédio do PAI esteve em reformas, o atendimento infantil foi realizado totalmente no PS Ipiranga. Com o fim dos reparos, a prefeitura levantou a possibilidade de iniciar a remodelação da unidade do bairro, mas moradores reagiram negativamente, temerosos de que o PS seria fechado definitivamente. A Secretaria de Saúde, acatando o pedido do Conselho Gestor, desistiu de reformar o pronto-socorro.