Lençóis Paulista - Os primeiros socorros a Carlos Alberto Miranda foram prestados pelo pai, João Branco de Miranda, 65 anos. Ele foi a primeira pessoa a ver o filho caído no chão com sérios ferimentos na cabeça.
Segundo relatou à reportagem do JC, a gritaria e o arranque dos veículos chamaram a atenção dele. Quando saiu na rua, João Branco encontrou o filho caído e sangrando.
A vítima foi levada ao Pronto-Socorro e de manhã voltou para casa. A mãe, Alzira de Assis Miranda, 59 anos, conta que o filho estava consciente e chegou a conversar com ela.
Depois de ter tomado uma sopa, no almoço, o filho dormiu, mas por volta das 16h começou a apresentar os sintomas de que algo não ia bem.
Ele não reconhecia mais as pessoas da família e deixou de ter controle sobre suas necessidades fisiológicas.
A mãe conta que chamou novamente o resgate, mas o filho teria se recusado a ir para o Pronto-Socorro (PS).
Na manhã seguinte, o resgate foi mais uma vez chamado. Segundo Alzira, o filho não conseguia ficar em pé. E de novo o resgate teria ido embora sem levar o garoto, por este se recusar a ir.
“Eu acho que eles (funcionários do resgate) deveriam ter levado meu filho mesmo assim. Dava pra ver que ele não estava nada bem”, declarou a mãe.
Como a situação foi se agravando, os pais pediram ajuda a um amigo que trabalha no resgate do PS para levar o filho para o hospital mesmo sem o consentimento dele.
Sem o tomógrafo para poder fazer uma análise mais precisa da situação clínica de seu paciente, o médico que atendeu Carlos Alberto solicitou vaga em outro hospital.
A transferência aconteceu por volta das 22h, para o Hospital de Base de Bauru. Depois de constatado um coágulo no cérebro, o pintor foi submetido a cirurgia.
Carlos Alberto resistiu ainda por quase dois dias. Quando os pais chegaram para visitá-lo na quinta-feira passada, à tarde, ficaram sabendo que ele havia morrido.
A família não acredita em negligência médica ou omissão de socorro. A mãe disse apenas que confia na “justiça divina” e espera que os culpados sejam punidos pela agressão covarde ao seu filho.