A comunidade dos bairros vizinhos ao córrego do Barreirinho estão mostrando à população bauruense que é possível encabeçar atividades de recuperação dos rios e córregos de Bauru.
Há cerca de seis anos, moradores alarmados com a “morte” gradual do manancial denunciaram a situação e procuraram ajuda. Hoje, começam a colher frutos dessa iniciativa com a recuperação da mata ciliar local, através de parceria com o Instituto Ambiental Vidágua.
“Após a construção do Núcleo Bauru 2000, percebemos que todas as margens haviam sido delapidadas e que o córrego estava sendo assoreado. A preocupação era recuperá-lo porque há pouco tempo ele tinha peixes. Com a destruição das margens, o córrego morreu”, enfatiza José Raul Franco Canheti, morador da Vila Santa Luzia.
Foi em meados de 1998 que eles fundaram a Sociedade Amigos pela Cidadania e Meio Ambiente. O objetivo inicial seria proteger o córrego do Barreirinho - que começa na Vila São Paulo e termina no Núcleo Beija-Flor, onde deságua no rio Bauru.
Raul ressalta que um dos problemas constatados é o assoreamento do canal, decorrente da destruição das matas ciliares. “O Barreirinho tinha profundidade, mas agora é raso como o rio Batalha”, observa.
Waldir Caso, morador do Jardim Eldorado, também é membro da Sociedade Amigos pela Cidadania e Meio Ambiente e colaborador do processo de recuperação do córrego do Barreirinho. “A gente tem de acreditar. Para mim, é um sonho recuperar isso tudo. Eu acredito nisso”, salienta.
Ele destaca a importância da participação da comunidade e confessa que é difícil ganhar mais adeptos a essa luta. “Não adianta um sozinho querer fazer. Tem de ter envolvimento da sociedade. As pessoas têm de se empenhar e ajudar a plantar árvores, mas isso é difícil”, diz Waldir.
“A população deveria começar a trabalhar a questão do reflorestamento das baixadas. O plantio de mudas será muito proveitoso para as futuras gerações. Temos de reflorestar todas as margens de córregos”, argumenta o morador do Jardim Eldorado.
Raul ressalta que a comunidade está convidada a participar dos projetos de recuperação. “Tem pessoas que não sabem nem que existe um córrego atrás de casa. O povo é muito acomodado e não tem participado. As pessoas querem que os outros façam por elas”, critica.
Apesar das dificuldades, o grupo está vendo o resultado dos esforços e afirma que está conseguindo reflorestar as margens do Barreirinho. O objetivo é futuramente transformar a área em um bosque com trilhas ecológicas.
“Hoje, o córrego está assoreado, desprovido de proteção ciliar. Criou-se um deserto em volta. Se conseguirmos preservar uma região como essa, já será uma grande vitória”, salienta Canheti.
Wagner Caso ressalta que o cenário é preocupante. “A qualidade dos córregos de Bauru está caminhando para uma situação crítica. Se nada for feito, eles vão morrer”, frisa.