Quem já teve nos braços uma criança e junto ao peito pulsando em uníssono com o seu um jovem coraçãozinho que acabou de chegar ao mundo e hoje tem os braços vazios e o coração pulsando sozinho, mais apanhando do que batendo, é porque um dia já foi mãe. E se foi a morte que levou o seu bebê, por meio de doença, de desastre, de assassinato, ou seja lá como for, ou se foi a vida mesmo que o chamou para longe, criando para ele outros interesses, outras ambições, outros amores, agora não importa mais. O fato é que agora você é uma ex-mãe. Mas ainda tem na lembrança todos os momentos felizes dele sobre seu peito, aconchegado com carinho, sugando seu seio, tão feliz e tranqüilo que até virava os olhinhos. Lembra-se de quando ele chorava e vinha aos seus braços, cheio de confiança de que você daria jeito no dedinho machucado que ele acreditava que ia sarar apenas com o seu beijo. E quando ao dar os primeiros passos ele pegava na sua mão, procurando amparo e em busca de segurança, caminhando confiante na sua proteção. Mais tarde, quando seu bebê chegava da escola faminto, você lhe dava um lanche que ele achava o melhor e o mais gostoso do mundo. Quantas vezes sua criança lhe disse o quanto você era bonita, mesmo estando você sem se arrumar, em casa, de qualquer jeito e é verdade que para a sua criança você foi sempre bonita. Bonita, querida, amada, sábia e confiável: sua palavra era sempre verdadeira para a sua criança. Você era quem sabia das coisas. Você era quem fazia coisas gostosas para comer. Seu carinho era tudo o que havia de melhor no mundo para a sua criança, para o seu bebê amado, por quem você já havia dado uma parte de sua vida e seria capaz de dá-la toda. Isso tudo é o seu tesouro, amealhado com amor e dedicação em um bom pedaço de sua vida e agora que você está sozinha e nem mais mãe é, seja porque a morte levou sua criança ou seja porque foi a vida mesmo que levou, abra sua arca do tesouro dos momentos de felicidade vividos com seu bebê, sua criança, seu amor maior, que este é o seu rico presente do dia das mães, ele é todo seu e só seu e ninguém jamais poderá roubá-lo de você.
Isolina Bresolin Vianna - Academia Bauruense de Letras - C.12