Um revólver calibre 38 municiado com cinco cartuchos foi apreendido com um adolescente de 17 anos na escola Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, anteontem à noite. Ele estava com a arma dentro da sala de aula e alegou que queria defender-se do grupo de um colega da escola com o qual ele havia discutido no dia anterior.
O revólver foi apreendido por policiais militares e o rapaz foi encaminhado, juntamente com seu pai, para a Delegacia de Infância e Juventude (Diju). O adolescente, que cursa a 2.ª série do ensino médio, foi liberado após a elaboração de boletim de ocorrência de ato infracional por porte ilegal de arma e fica à disposição da Vara da Infância e Juventude.
O motivo da discussão entre o adolescente flagrado com a arma e outro aluno da escola da mesma faixa etária foi uma menina, conta o soldado Raéder Adilson da Silva, que é orientador do Jovens Construindo a Cidadania (JCC). Ele afirma que o adolescente nunca havia apresentado problemas de comportamento anteriormente, mas que poderia ter ocorrido algo mais grave se a arma não fosse apreendida.
Para Raéder, os estudantes poderiam brigar na saída da aula e alguém poderia sair ferido. “Na segunda-feira, eles discutiram por causa de namorada. A escola chamou os pais dos dois alunos para conversar, mas eu senti que entre eles não estava tudo bem. Por isso, ontem (anteontem) fiquei observando os dois. Eles entraram e parecia estar tudo bem, mas na hora do intervalo um aluno contou que tinha visto um colega com uma arma”, conta.
Os policiais da Ronda Escolar informaram a direção da escola sobre a suspeita da existência de uma arma em sala de aula. “Como não sabíamos com quem estava a arma, levamos quatro alunos suspeitos para a diretoria. Eles foram indagados e um deles acabou entregando a arma. Ele disse que queria defender-se do grupo do aluno com quem ele tinha discutido no dia anterior”, relata o policial.
A direção da escola vai analisar o caso e decidir se o aluno flagrado armado sofrerá ou não punição, conta Dirce Maria Rodrigues Serrasi, diretora da unidade de ensino. Ela ressalta que o adolescente era um aluno regular e de comportamento normal. A ocorrência, no entanto, preocupa a direção da escola. “Nunca imaginávamos que alguém estaria armado na escola”, diz.
Ontem à noite, o adolescente não havia comparecido à escola. Aos policiais, ele disse que havia adquirido a arma há um ano e meio. Porém, o pai do adolescente comentou com Raéder que acha que o filho obteve a arma de um rapaz que foi até sua casa na terça-feira.
Como orientador do JCC, projeto da Polícia Militar que visa justamente a redução da violência nas escolas, Raéder ficou surpreso com a atitude do adolescente que, até então, nunca havia apresentado problemas de comportamento. “Fico triste por esse fato ter acontecido, mas por outro lado fico feliz pela confiança que o aluno teve em nos chamar para contar sobre a existência da arma. Dessa forma, houve tempo para evitar um mal maior”, diz.
A PM desenvolve o JCC na escola há cerca de seis anos e vai intensificar o trabalho para evitar casos de violência entre os alunos, de acordo com o soldado Raéder. Ele ressalta que após um longo período sem grandes problemas, neste ano as brigas entre os alunos aumentaram. Ele acredita que as brigas são conseqüência da lotação da escola Ayrton Busch. Além de seus alunos, está recebendo estudantes matriculados na nova escola do bairro, ao lado da Ayrton Busch, cuja inauguração está atrasada.