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Estudantes da Unesp iniciam greve

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

Depois da Faculdade de Ciências, agora é a vez dos alunos das Faculdades de Engenharia e de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) entrarem em greve por tempo indeterminado. A paralisação foi decidida em assembléia realizada anteontem no anfiteatro Guilherme Ferraz (Guilhermão).

De acordo com o aluno do 3.º ano do curso de jornalismo, Reynaldo Turollo Júnior, cerca de 500 pessoas de todos os cursos da instituição participaram da reunião e aderiram ao movimento. “A universidade precisa de melhorias de maneira geral”, destaca.

Entre as reivindicações dos alunos estão contratação de professores em regime integral; investimentos na infra-estrutura dos laboratórios; volta da bolsa de estudos para os projetos de extensão comunitária; equipamentos e espaço adequado para o curso de educação física.

“Uma das coisas que a comunidade não sabe é que os estudantes não têm mais como realizar trabalhos de extensão comunitária porque cortaram a bolsa. Isso não prejudica só os universitários, mas a população de modo geral”, enfatiza Turollo Júnior.

Gustavo de Paula Mineiro, que cursa o 3.º ano de física, destaca que faltam equipamentos de segurança para os alunos utilizarem os laboratórios, como luvas por exemplo. “Além disso, no laboratório de química estão utilizando produtos guardados desde a época em que a Unesp era a Universidade de Bauru”, salienta.

Para reforçar o movimento, os estudantes realizaram um “cadeiraço” ontem à noite, retirando as carteiras da sala de aula e colocando-as nos corredores. Turollo Júnior diz que a idéia é promover diversas atividades durante a próxima semana para chamar a atenção da Reitoria para as negociações. “Até agora, não houve nenhuma manifestação a respeito das nossas reivindicações. Estamos esperando a universidade abrir negociações”, frisa.

Carlos Eduardo Carneiro, aluno do curso de pedagogia, salienta que está sendo realizado um trabalho de conscientização junto aos universitários para que, no período em que a Unesp estiver em greve, ninguém retorne para as suas cidades de origem, fortalecendo assim o movimento. “O objetivo é que todos se envolvam. Não é só a Unesp que tem problemas, o sucateamento está acontecendo nas universidades públicas em geral”, afirma.

No caso da Unesp, os alunos destacam que a expansão da universidade, com a criação de novos cursos e câmpus, foi o que causou a maioria dos problemas observados hoje. “Houve o crescimento físico, mas não aconteceu a suplementação de verbas. Com isso, foi preciso fazer um remanejamento interno, o que acabou deixando os cursos já existentes sem investimentos”, afirma Mineiro.

Os estudantes explicam que a greve iniciada por eles não está integrada ao movimento dos funcionários da instituição, embora muitas das reivindicações sejam semelhantes. “São dois tipos de movimentos distintos, mas que visam a melhoria do ensino público”, diz Turollo Júnior.

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