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USP faz pesquisa sobre chumbo

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Cinco pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) dos câmpus de Bauru e Ribeirão Preto estão desenvolvendo duas pesquisas sobre o chumbo com moradores do Tangarás e que, no futuro, poderão ajudar muito no tratamento de pacientes contaminados pelo metal. Eles estão pesquisando a possibilidade de verificar a dosagem do chumbo no organismo humano através de exames da saliva e da unha, ao invés da análise do sangue, considerado um método invasivo. A outra pesquisa estuda a relação do metal com a incidência de doenças coronarianas.

A dentista Marília Afonso Rabelo Buzalaf, professora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), explica que uma equipe multidisciplinar está coletando amostras de sangue, saliva e unha de 200 voluntários moradores do Tangarás. Os resultados dos três tipos de exames serão comparados para verificar se a presença do chumbo no organismo também pode ser medida através da saliva e da unha. “O objetivo é estabelecer marcadores para exposição do chumbo menos invasivo e mais prático”, diz.

Além dos moradores do Tangarás, também serão analisadas amostras de sangue, saliva e unha de um grupo de controle, para comparação, formado por pessoas de outros bairros de Bauru e de Ribeirão Preto. As análises das amostras serão feitas pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. O resultado da pesquisa deverá sair em cinco ou seis meses, segundo Marília. “Assim que recebermos os resultados das análises vamos informar a população”, frisa.

Na outra pesquisa, o objetivo é verificar se a incidência de doenças coranarianas entre pessoas expostas ao chumbo é maior ou menor que as não expostas ao metal. Fernando Barbosa Júnior, pós-doutorando pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, explica que a pesquisa quer descobrir se o chumbo no organismo altera a produção de óxido nítrico, enzima que regula o funcionamento vascular. “Se o chumbo diminuir ou aumentar a produção do óxido nítrico pode ocorrer alteração na incidência de doenças coranarianas”, comenta.

A pesquisa consiste em separar o plasma do sangue e analisar a quantidade de óxido nítrico. Também serão pesquisadas 200 pessoas que moram no Tangarás e um grupo controle de outros bairros de Bauru e de Ribeirão Preto. A previsão também é que os resultados sejam conhecidos em cinco ou seis meses.

A Tangarás foi contaminado por chumbo das chaminés do setor metalúrgico Ajax localizado nas imediações e que está interditado desde janeiro de 2002. No início do mês, depois de dois anos de preocupação, os moradores do bairro tiveram uma boa notícia: A Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), com base na última análise da terra, anunciou que o bairro está livre da contaminação.

Na região habitada, a Cetesb constatou que o índice de contaminação é inferior a 100 miligramas de chumbo por quilo de terra, numa raspagem do solo realizada até dois centímetros de profundidade. Se a quantidade de chumbo fosse superior, o local seria considerado uma área de alerta.

Caso a Cetesb constatasse concentração igual ou superior a 200 miligramas de chumbo por quilo de terra, a avaliação seria de intervenção imediata. Esse índice foi verificado num raio de 250 quilômetros do setor metalúrgico da empresa, que será submetido a um plano de remediação elaborado pela própria Ajax, com a concordância da Cetesb.

Cerca de 300 crianças que moram no bairro continuam recebendo acompanhamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) porque apresentaram índices elevados de metal no sangue (mais de dez microgramas de chumbo por decilitro de sangue). A maioria delas já apresentou redução na concentração de chumbo no organismo.

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