Há quase 16 meses, desde que a ponte Ayrton Senna foi interditada, os moradores da região do Núcleo Mary Dota e do Distrito Industrial 1 são obrigados a cruzar o rio Bauru por uma ponte de madeira, alcançada depois de caminhar ou pedalar por cerca de 100 metros de terra batida. Em dias de chuva, a terra se converte em lama e a travessia torna-se tarefa quase impossível.
A dona de casa Terezilma Rodrigues luta diariamente para não afundar as sandálias na lama, enquanto tenta chegar ao Jardim Redentor. “Eu moro no Jardim Mendonça e é impossível andar por aqui quando chove. Já é ruim não ter a ponte, mas em dias de chuva, a situação vira um desastre. Dar a volta é muito complicado”, aponta.
A ponte sobre o rio Bauru está interditada desde janeiro do ano passado por conta de rachaduras na estrutura. A interdição obriga os motoristas a dar uma volta de vários quilômetros para alcançar o outro lado do rio. Pedestres, ciclistas e motociclistas, por sua vez, se aventuram pelo atalho e pela ponte de madeira, com pouco mais de metro de largura.
“Quando chove bastante, o rio sobe e fica difícil passar pela ponte de madeira. A única solução, se você não quiser passar por aqui e se sujar de lama, é pegar dois ônibus e ir para o outro lado pela cidade”, indica a estudante Renata Rodrigues. “E para passar de bicicleta ou de moto, o pneu ainda pode escorregar na lama e você cair e se machucar”, alerta Paulo Rogério Galdino de Souza.
Além da precariedade do solo, os moradores queixam-se também da falta de iluminação do atalho. A faxineira Creuza Olegário da Silva Cerqueira comenta que não há postes de luz no local e que várias pessoas já teriam sido assaltadas ao cruzar o rio. “Outro dia, uma vizinha vinha voltando do supermercado e uns moleques roubaram as compras e a bolsa dela. Eles ficam escondidos no meio do mato e a polícia já orientou a gente a não passar por aqui com bolsa e relógio”, comenta.
Segundo Creuza, sua maior preocupação é com os dois filhos, que voltam do trabalho pelo atalho todas as noite. “Um volta à pé e outro, de bicicleta. Fico apreensiva e só descanso depois que eles chegam em casa.”
Reforma
Após seis meses de suspensão, a Secretaria Municipal de Obras retomou os reparos da ponte Ayrton Senna no final de abril. A reforma foi reiniciada depois de novos processos de licitação para compra dos materiais necessários, como brocas de perfuração, para sustentação da ponte, ferragem armada e concreto.
De acordo com o secretário de Obras, José Ângelo Padovan, 13 funcionários da prefeitura estão no local trabalhando na reforma. “Estamos fazendo o descobrimento da cabeça das estacas, para fazer a concretagem dos blocos e a perfuração para amarração. Também já estamos recebendo a ferragem dos blocos e os materiais que foram comprados nas licitações”, diz.
A reforma da ponte deve ser cumprida em 16 etapas, pois a estrutura conta com quatro pilares em cada lado do rio, com outros quatro ao lado do aterro nas cabeceiras. Cada pilar vai receber de oito a dez furos para brocas, que sustentarão a estrutura. O custo da reforma estava previsto em R$ 127 mil, mas a secretaria não quer definir valores nem prazos por não saber qual a real condição da estrutura.
A ponte custou R$ 250 mil e foi entregue em setembro de 2000, às vésperas da eleição que reelegeu o prefeito Nilson Costa (PTB). Em janeiro de 2003, a estrutura apresentou problemas porque a empresa responsável pela obra, a Toffer Engenharia, não teria respeitado o projeto, segundo a prefeitura.
Por outro lado, a empresa alega que, desde o início, alertou a administração municipal sobre o projeto, que não seria o mais adequado para o local. Duas ações tramitam na Justiça com a intenção de apurar a responsabilidade sobre o problema.