Não faz muito tempo, coisa ainda muito recente, ouço do senador Aloísio Mercadante e, na seqüência, do próprio presidente Lula, que gostariam de aumentar o salário mínimo para R$ 300,00, coisa e tal, mas que seria uma grande irresponsabilidade fazê-lo. Motivo: a dívida, rombo ou sei lá o que mais, de R$ 32 milhões.
Certo? Não, errado. Não vejo problema nenhum. Afinal, não creio que alguém tenha ou mereça ganhar dos cofres públicos salários, proventos, ou seja lá o quê, que deva ultrapassar a casa dos R$ 10 mil. Um salário de R$ 10 mil é suficiente para que qualquer criatura possa viver com dignidade, conforto e todos os encômios que se possa tributar a um ser mortal, como todos neste planeta. Na verdade, R$ 5 mil seria um teto mais que ótimo.
Por outro lado, quem tem ambições maiores que essa cifra pode e deve augurar outras posições, que não seja o estipêndio às custas dos cofres públicos. Há profissões ou atividades mais rentáveis - aos ambiciosos - na área privada: comércio, indústria, prestação de serviços, especulações financeiras etc. Quero dizer que devemos acabar com toda espécie de parasitismo neste País. A profissão do serviço público não pode ser o objeto de ambições desmensuradas. Ao contrário, deve ser um sacerdócio, uma vocação, um ideal.
Por isso, não assiste razão ao ilustre senador Mercadante, ao presidente Lula, e suas justificativas não procedem, absolutamente. Necessário buscar uma fonte de recurso, seja lá onde for, para fixar o parco e vergonhoso salário mínimo, ao menos na faixa dos R$ 300,00 ou US$ 100. Não há recurso? Mentira, há sim! Sugiro que se corte o próprio salário (ou provento) do presidente, dos ministros e membros do Poder Judiciário, no excedente de R$ 10 mil. Com certeza vai sobrar recurso e o salário mínimo pode muito bem ser fixado em R$ 300,00. Desafio quem quer que seja a me convencer que estou errado!
Os vereadores de todo País também podem dar uma mãozinha, carreando seus imerecidos proventos para um fundo especial em prol do salário mínimo de R$ 300,00. Afinal, justiça social é um compromisso do governo atual; as desculpas apresentadas são por demais frágeis. Os argumentos não convencem nem mesmo quem, como eu, idealizava um governo mais justo em mãos “operáriasâ€. Afinal, somente uma corrupção alta justifica uma carga tributária altamente alta, logo... Há confisco explícito: pedágios, CPMF, tabela de isenção do IR (não corrigida desde 1996). Precisa dizer mais? Que vergonha! E nossas estradas federais? Nem é bom falar... (Venício Augusto Francisco - OAB/SP 81.448)