Tribuna do Leitor

SOMOS PRIVILEGIADOS


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Em recente visita a uma fábrica do setor automobilístico no ABC paulista, o nosso presidente afirmou aos trabalhadores presentes que os brasileiros que recolhem Imposto de Renda na fonte são privilegiados. Ou o Presidente perdeu a noção da hora ou está de gozação com os trabalhadores que ele tanto defendeu antes de subir a rampa do Palácio do Planalto. Pois o único privilégio que temos é o de sofrermos o desconto em nossos avisos de pagamento religiosamente, enquanto muitos brasileiros da elite conseguem amealhar verdadeiras fortunas sem serem incomodados em tempo algum pelo fisco. Ao subir no palanque de uma fábrica, nosso presidente ainda confunde o tempo da ação. Creio que acredita estar em campanha eleitoral, e não no papel de governante do País. Fica difícil acreditar em qualquer coisa na política nacional a partir do momento em que Lula não consegue cumprir promessas simples de sua campanha, ou melhor, de suas quatro campanhas à Presidência da República. Corrigir a defasada tabela de correções do injusto Imposto de Renda é obrigação, como também é obrigação recolocar o País nos trilhos do desenvolvimento, com a retomada de seu crescimento sustentado. Sem se esquecer da formulação de políticas que garantam o tão sonhado estado de pleno emprego com a conseqüente redução dos índices de desemprego no País.

Obrigações que estão em seus discursos de campanha, no programa do seu partido, bem como no anseio dos milhões de brasileiros que colocaram seus votos nas urnas em 2002, apostando na mudança e tendo como haste propulsora a esperança de renovação de toda e qualquer política praticada por seus antecessores. Ao invés de mudanças, a gestão Lula é criticada principalmente por ser idêntica a de FHC. O que convenhamos não é propriamente um elogio, e sim uma profunda crítica ao mesmo tempo em que uma decepção inconteste para todo povo brasileiro. Retomar sua agenda de presidente com menos viagens e mais trabalho, se possível com uma leitura diária do ideário do partido dos trabalhadores, seria benéfico e poderia trazer Lula de volta a luta em favor dos trabalhadores e dos excluídos. (Célia Regina Gonçalves Moia - RG 14.805.233)

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