Os EUA querem mandar “democraticamente†no mundo? Têm a melhor fórmula de governo? É guardião dos princípios morais e éticos mais corretos? O poderio militar e econômico é um mero detalhe? Tudo bem... Mas para melhorar sua imagem internacional são necessários alguns ajustes de forma, para evitar os erros de seus antecessores históricos e para garantir que o discurso democrático e predestinado que seus políticos pregam não seja encarado como simples retórica ou cortina de fumaça para uma estratégia intervencionista não tão nobre. Vejamos:
O mundo poderia ser transformado numa federação, semelhante àquela da série “Jornada nas Estrelasâ€. Não haveria discussão sobre a localização da Capital: Se os EUA querem ser o centro do mundo, que seja Washington ou Nova York! A atual sede da ONU seria transformada num Parlamento Mundial, cujos integrantes não teriam privilégios nem poder de veto! Seria elaborada uma Constituição Geral, estendendo os princípios da carta magna dos EUA a todos os povos do planeta!
Que tal?
Mais: Todos teriam o direito de votar na eleição do “presidente do mundo†e parlamentares, em igualdade de condições. Um eleitor da Somália teria o mesmo peso que um financista da Wall Street!
As campanhas eleitorais seriam o maior veículo de distribuição de renda que a civilização jamais viu! Os candidatos teriam que prever em seus programas a solução de problemas étnicos, raciais e políticos. Quem quisesse a maioria dos votos teria que se aproximar de culturas diferentes - e elas entre si - para buscar pontos comuns, onde antes só achavam diferenças e radicalismos. Problemas como fome, violência e ecologia seriam tratados com interesse e preocupação globais. Os protocolos seriam universais, abolindo as assinaturas e adesões facultativas! A indústria armamentista desapareceria, pois não haveria mais conflitos entre países ou guerras mundiais. Seriam, apenas “desavenças momentâneas entre vizinhosâ€. Quem quisesse encrenca teria que procurar outro planeta, “onde nenhum homem jamais esteveâ€.
Agora, o principal exercício de imaginação: O “presidente do mundoâ€, legitimamente eleito, poderia ser um comunista chinês, um muçulmano árabe, um latino ou um africano! Tomaria posse, solenemente, no dia 1 de janeiro, no Madison Square Garden ou no Central Park, e seria festejado e respeitado em todo o planeta, numa festa de sete bilhões de pessoas, todas cantando e orando para que sua gestão fosse bem-sucedida e mundialmente proveitosa.
Nada mal, hein?
Os EUA querem mandar “democraticamente†no mundo? Ótimo! Então, que o mundo seja uma grande democracia, com direitos e deveres iguais para todos os povos! Afinal, não adianta ser exemplo de democracia sem repartir seus benefícios! O dia que isso acontecer eu também vou querer votar nessa grande festa universal! Nesse dia poderemos verificar, de fato, se “o que é bom para os EUA é bom para o mundo!â€.
Só precisamos estar atentos para que o padrão de governo seja a democracia que os EUA afirmam praticar internamente, mas com o sistema de apuração desenvolvido pelos técnicos brasileiros. Senão... (O autor, Adilson Luiz Gonçalves, é engenheiro, professor universitário e articulista)